Crítica | Esquadrão Suicida (2016): o espetáculo do horror

Estupendamente ruim, magistralmente incompetente e magnificamente mal feito

Esquadrão Suicida foi remontado as pressas, por conta da crítica negativa ao Batman VS Superman, o que resultou em um filme sombrio se tornando um filme bobinho. Se não se levar a sério, ele é ótimo, um trashcult, como o Death Note da Netflix. Uma palestra do que não se fazer.

O filme parte de uma premissa interessante, mas cuja conclusão simplesmente não faz sentido. Claro que o governo precisa de uma proteção contra meta humanos, mas de que adianta ter um bando de humanos criminosos e um cara que solta fogo? Apenas a Magia era realmente merecedora desse cargo.

A apresentação dos personagens por clipes animados foi estranha, beirando o ridículo, mas não foi tão ruim ao ponto de se destacar. Uma das apresentações realmente me incomodou, a do Coringa. Depois da primeira aparição espetacular do Coringa do Ledger, eu esperava algo minimamente bacana, mas nada naquela cena foi legal. O Coringa enrolou, enrolou e atirou de um jeito meio “clipe editado” e offscream.

A “arqueóloga” quebrando a cabeça do boneco de madeira foi de doer o cérebro, mas se eu for pontuar cada coisa estranha do filme vou me alongar demais, então vamos aos, poucos, pontos positivos.

O Pistoleiro foi praticamente o protagonista, gostei da trama dele com a filha, embora isso o torne mais um anti herói do que um vilão, e da personalidade dele no geral. Como sempre, o Will Smith foi bem.

A Arlequina estava muito agradável, até foi bacana, perto do resto dos personagens. Só acho que pesaram um pouco a mão no número de vezes em que ela fala que é louca, deu um tom de superficialidade à personagem.

Agora os pontos ruins, e como tem pontos ruins nesse filme. Para começar, a narrativa é muito simples. Existe apenas um encontro com a vilã, e esse encontro é a batalha final. No mesmo sentido, o tempo em que os personagens passam num mesmo cenário fazendo a mesma coisa se estende demais, no caso, o Esquadrão andando numa avenida destruída e lutando contra capangas absurdamente genéricos.

A falta de sentido nas situações foi terrível. O Pistoleiro é um exímio atirador, mas em vez de ficar de longe esperando ter um alvo importante na mira, ele simplesmente avança atirando nos capangas, como se isso fosse muito diferente do que qualquer soldado faria. E mais, a Magia é muito mais poderosa do que eles, não tem o menor nexo eles serem escalados para detê-la.

Ah, a Magia. Sua caracterização estava muito boa, mas seu irmão capanga genérico e, especialmente, o seu recrutamento para o Esquadrão ter sido o que fez o Esquadrão ter uma missão, afundaram qualquer ponto positivo que a personagem poderia ter. Isso fora sua falta de motivação.

Capitão Bumerangue que não joga bumerangue também foi deveras engraçado. O resto da equipe não foi muito relevante, exceto o, sentimental, Diablo, que chamou os companheiros de família com menos de um dia que os conhecia. Isso que são “caras maus”.

O Coringa foi simplesmente ridículo. Romantizaram demais o relacionamento dele com a Arlequina, ela até parecia mais ser o Coringa do que ele. Aparece tempo demais em tela e pouco faz, além de exagerar na atuação caricata. Lex Luthor de BvS foi mais Coringa do que ele.

Dispensando comentários sobre o vilão do Esquadrão Suicida ter um raio azul que vai destruir a Terra e o Flash não aparecer para combatê-lo, vamos à luta final. É muito estranho ver a Magia, toda poderosa, enfrentando e apanhando para o Esquadrão, sendo que ela deveria os matar com facilidade. A cereja do bolo foi a cena final do Pistoleiro, um slow motion demorado demais e com uma careta bizarra do Will Smith.

O Coringa romântico resgatando a Arlequina deve ser a ponta para um futuro filme do Batman, ou pelo menos eu espero que seja.

A pós-créditos sugere uma futura colisão entre a Amanda e a Liga, o que é algo que todos esperamos, mas não com essa equipe que ela formou.

Nota 0. Eu tentei encontrar qualquer ponto positivo no filme, mas a única coisa foi o efeito especial da Magia, todo o resto tem coisas ruins que contrabalanceiam. Se tirasse o Coringa, seria 1 pelo Pistoleiro e pela trilha sonora.

Esquadrão Suicida, um filme que se saiu bem em ser ruim, em todos os aspectos possíveis.

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