Crítica | Supergirl: o feijão com arroz

Leve, divertida e nada de outro mundo

Supergirl é uma série de drama, ação e alienígenas, mas não tem nada de muito bom ou muito ruim nessa primeira temporada. As lutas são boas, os personagens razoáveis e o enredo aceitável.

Kara não possui muito desenvolvimento como heroína por já ter seus poderes e a ideia de herói bem construída, mas passa por momentos tensos de controle da raiva e falta de esperança, o que rende os melhores momentos da série, ao lado do episódio da kriptonita vermelha. Sua falta de amizades é compreensível, mas incomoda a falta de homens que não estejam interessados nela amorosamente.

Jimmy Olsen ser um cara alto e musculoso me incomodou, mas deixei de me importar depois de algum tempo, é mais um detalhe. Manter o relacionamento com a Lucy gostando da Kara foi algo inesperado, e humano. O que mais me agradou foi quando a Kara ia se declarar e ele a impediu, por conta do que ela disse antes, sob efeito da kriptonita vermelha.

As ações humanas e lados diferentes dos personagens é o maior brilho na série. Winn ser filho do Homem Brinquedo e ter medo de pirar, Lucy entender os sentimentos do Jimmy (ou James, como foi mais falado), tudo humano e orgânico.

Apesar das motivações um tanto dúbias dos vilões, eles não são horríveis, mas não se destacam, exceto o Lex Luth… Quero dizer, o Max Lord. O gênio que quer proteger a Terra de possíveis ameaças aliens sempre rende boas histórias, mas senti que faltou um pouco de vilania da parte dele. Foi mais expectativa do que realidade.

O Caçador de Marte e a Alex formaram um dupla agradável, com seus dramas e segredos, mas duas questões ficaram em aberto. Por que o John se transforma antes de usar os poderes em alguns momentos? Parece uma ação retardatária sem motivo, já que ele usou os poderes transformado em Hank. A outra pergunta é: por que só a Alex não usa capacete nas missões?

Os problemas familiares da Kara foram bem empregados, mas não senti muito peso neles, especialmente por não haver clareza nos planos da Astra antes de elas lutarem. Por quase toda a temporada, os planos dos kriptonianos foram um mistério.

A sombra do Superman pairou ao longo dos episódios, e, em alguns momentos, até achei estranho que não tenha aparecido. A não aparição final, quando National City foi dominada, não teve nenhum sentido (Superman cresceu na Terra e isso o permitiu ser controlado).

A Cat Grant foi incrível. Durona e exigente, inteligente e ciente do quão benéficas as suas ações seriam. A única ressalva é ela acreditar que a Kara não é a Supergirl, mesmo com a Kara praticamente confessando, no momento em que ela se demite.

O final da temporada me decepcionou. Foi tudo muito conveniente para que o discurso motivacional quebrasse o controle mental, o Superman não aparecesse e, um pouco antes, a forma com que a cidade voltou a gostar da Supergirl foi frustrante, pouco impactante.

Depois de ver a Kara agir como se fosse morrer na batalha final, a luta em si foi muito fácil. A começar pelos outros soldados não estarem lutando. Não senti que a Kara quase perdeu, ou que sofreu para vencer. Foi bem tranquilo até. O ato de levar a nave para o espaço também foi uma decepção. Kara podia ter sido salva pelo marciano e ser salva pela Alex tira totalmente o peso da conversa que elas tiveram na cena anterior. Isso foi ridículo.

Superman Returns é um bom exemplo do que poderia ter mais peso no final de Supergirl. Ao menos uma queda no solo, com sangue e ausência de sinais vitais. Algo que mostrasse que não foi fácil.

Comparações com Smallville são inevitáveis, e acredito que Smallville é fantástico no que acerta e horrível no que erra (Lex Luthor/Lana Lang), diferente de Supergirl. Coincidência irrelevante: amigo que ajuda com informações (nerd da cadeira) e que fica na friendzone (Winn e Chloe).

Supergirl é um gigante “ok”. É uma primeira temporada descompromissada, que não vai fundo nos vilões nem nos heróis, apesar de esboçar algumas tentativas de dar profundidade à Kara.

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