Crítica | X-Men Fênix Negra (2019): a gente era feliz e não sabia

Um esquecível fim de trilogia

X-Men: Fênix Negra é um filme norte-americano de super-heróis lançado no Brasil em 6 de junho de 2019, baseado nos personagens da Marvel Comics, X-Men, produzido pela 20th Century Fox e distribuído pela Walt Disney Studios Motion Pictures. É o décimo segundo título da série X-Men da Fox. O filme foi escrito e dirigido por Simon Kinberg, e é estrelado por James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp e Jessica Chastain.

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Os fabulosos X-Men

1992. Os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy) agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderado por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extraterrestres.

Começando pelo começo

O início do filme retrata um período da infância da Jean, e é impossível não comparar com X-Men: O Confronto Final (2006). Deixando a semelhança de lado, o longa apresenta como trauma reaberto o fato de que a Jean causou a morte da própria mãe, algo que Xavier escondeu dela. É bom usar um conflito interno tão paternal quanto esse, afinal, torna o drama mais compreensível por parte dos espectadores, permitindo uma conexão emocional mais rápida.

Na rua da Jean

No encontro com a Jean os X-Men estão completamente uniformizados. Se a intenção era conseguir uma solução pacífica para com ela, Xavier foi inacreditavelmente burro, e, isso desemboca em uma luta. Batalha que fora ruim em vários aspectos. Embora tenha atacado dois carros de polícia, a Jean queria apenas ir embora, até porque, ela sabia que não era capaz de controlar o impulso. Enquanto ela voava, Xavier teve a brilhante ideia de fazer o Noturno trazê-la de volta na marra.

Se o professor foi até lá para evitar que a Jean pirasse, atacá-la sem que ela os tenha atacado primeiro a afastaria de qualquer possibilidade de negociação, no mínimo. A luta em si é pouco justificável. Os X-Men estão lutando com a Jean para evitar que ela vá embora, um motivo fraco. Isso se conecta com uma das duas mortes que ocorrem. Essa morte teria sido evitada apenas ouvindo a Jean, pois ela disse que não conseguia controlar. No fim das contas, ela não matou de propósito.

Deixei o pior para o final. A cena do Mercúrio é rápida e absolutamente frustrante. Depois das duas sequências maravilhosas em X-Men: Apocalipse (2016), havia muita expectativa ao redor da nova cena de corrida, mas, saiu aquém do esperado. Mercúrio foi rapidamente repelido pela Jean, sem nem chegar a fazer cócegas nela.

No terreno do Magneto

A chegada da Jean na “Fazenda Magneto Para Marmanjos Superdotados” me incomodou. Os homens que estavam por lá pararam com os braços meio abertos, como que em pose de machão. Toda aquela cena foi constrangedora.

Não entendi o que a Jean queria fazer com o helicóptero. Se queria fazê-lo voar, Magneto não tinha motivo para impedir. Se queria destruí-lo, Magneto não tinha poder para impedir. O pior foi, depois de ter atacado o próprio Magneto, a Jean reclamar por ele não querer ajudá-la.

Para proteger ou destruir

Magneto e Fera quererem vingança é plausível e lógico, mas pouco para justificar aquela luta entre eles e a turma do Xavier. Mais estranho pelo lado do Xavier, que, mais do que ninguém, devia saber que o melhor era matar a Jean, depois que eles já haviam lutado na casa dela. Tempestade teve uma mudança radical, para defender a mesma pessoa que ela considerava uma assassina proposital, como disse ao Ciclope.

Misteriosamente, Magneto esqueceu-se de que a Jean é mais forte que ele, a atacou de frente e obviamente foi derrotado. Mais adiante, foi quase parodiesca de tão patética a cena da Jean fazendo o Xavier andar com a sua telecinesia.

A batalha final

Mutantes presos e policiais enfrentam os inimigos. Claro que eles seriam burros o suficiente para continuar atirando do mesmo jeito, percebendo que os tiros eram inúteis. Mais uma vez, a burrice do Magneto me surpreende, ao usar armas para atirar na vilã, coisa que não dá em nada, como não havia dado nos últimos milhares de disparos efetuados contra os lacaios dela.

O mais legal desse final é o Noturno sangue nos olhos, porque a Jean mata a vilã simplesmente a fazendo absorver mais poder do que seu corpo aguenta, e, o pior, morre junto com ela, explodindo. Terminei de ver sentindo que devia ter me empolgado mais do que me empolguei e com a certeza de que qualquer coisa que a Disney fizer será melhor do que esse filme.

Um Xavier pouco heroico

O Professor Xavier do filme se parece muito mais com um vilão do que a própria Mística. Ele trata os X-Men como se fossem seu objeto e os pudesse usar a torto e a direito para a humanidade ter motivo para agradecê-los. Em dado momento, ele diz que os X-Men provaram para a humanidade que ela precisa deles. Mais arrogante impossível. Jean só foi incorporada pela força cósmica porque Xavier não queria deixar um homem no espaço, mesmo sabendo dos riscos. Isso despertou em mim grande antipatia por ele.

Por outro lado, o filme coloca isso como ponte para um revés ao final da trama, quando Xavier deixa o instituto, que passa a ser gerido pelo Fera, aceitando que seu tempo passou, e, talvez, mostrando que aprendeu com seus erros.

Hora da comparação

X-Men 3 é, sem dúvida, superior ao Fênix Negra. A Jean de O Confronto Final carrega um risco, um peso dramático muito superior ao da nova Jean. As cenas de demonstração de poder são mais fortes, assim como as lutas são melhores e mais bem justificadas.

Só para citar algumas cenas épicas que comprovam a superioridade do tão execrado filme de 2006: Xavier, Jean e Magneto dentro da casa enquanto os mutantes lutam ao redor e dentro dela; Magneto movendo a ponte e, evidentemente, a cena final, em que Wolverine sobrevive ao poder da Jean e a mata.

De longe, o final da Jean de Famke Janssen é muito mais impactante e épico do que o da Jean de Sophie Turner.

O veredicto

X-Men: Fênix Negra é um filme pouco marcante e em nada superior ao seu antecessor. Não convence pelo roteiro nem pela ação. No meu ranking de melhores filmes dos X-Men, ele é o último. Espero que a Disney faça filmes de maior qualidade que os da Fox.


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