Crítica | As Vantagens de Ser Invisível (1999): os mistérios, dramas e romances de Charlie

Um livro sobre tudo o que um adolescente pode passar

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, originalmente) é um romance epistolar do escritor norte-americano Stephen Chbosky. Publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1 de fevereiro de 1999 pela editora MTV Books, foi depois publicado em dezesseis países e traduzido para treze idiomas. Também se encontra disponível nos formatos digital e áudio. Chbosky levou cinco anos para escrever o romance, publicando-o aos 29 anos. Ele se inspirou em lembranças de sua própria juventude para criar os personagens e outros aspectos importantes da história.

 

Mais íntimas do que um diário, as cartas de Charlie são estranhas e únicas, hilárias e devastadoras. Não se sabe onde ele mora. Não se sabe para quem ele escreve. Tudo o que se conhece é o mundo que ele compartilha com o leitor. Estar encurralado entre o desejo de viver sua vida e fugir dela o coloca num novo caminho através de um território inexplorado. Um mundo de primeiros encontros amorosos, dramas familiares e novos amigos (extraído da orelha da edição brasileira).

As Vantagens de Ser Invisível é um livro com uma trama limitada pela sua forma. Por se tratar puramente de cartas escritas por Charlie, a grande variedade de temas abordados é desenvolvida superficialmente. Em algum momento do final, o leitor pode acabar tendo a sensação de que leu sobre coisas ruins, mas que não tiveram o peso que se imagina que devam ter.

Muito mais do que em uma história narrada em primeira pessoa de forma convencional, o sistema de cartas empregado por Chbosky torna os coadjuvantes superficiais, com pouco conteúdo por trás de cada uma de suas atitudes, sempre sendo observados pelo prisma dos olhos de Charlie. Essa disposição do enredo não torna As Vantagens de Ser Invisível ruim, mas, o impede de ser muito melhor.

O livro trata das transições que ocorrem na adolescência, suscitando temas que costumam vir à tona nesse período. Charlie inicia como um garoto deslocado e, ao longo de seu percurso, dirigi, bebe, namora, fuma cigarros e maconha. Não é uma trajetória incomum, o que permite que o leitor se identifique com ele, ou por ter passado por alguma dessas coisas ou por imaginar que possa fazê-las.

Uma das primeiras coisas que pensei ao terminar de ler, foi que o livro era muito feliz. Isso é um problema. Depois de falar sobre aborto, homofobia, bebedeira, drogas e relacionamento abusivo, é estranho ver que nenhuma das situações teve consequências negativas. As que tiveram, foram breves. O único drama mais intenso, que se arrasta ao longo do livro, é a condição mental de Charlie.

A revelação sobre a tia Helen passou batido na minha primeira leitura, o que me obrigou a reler o final para ter certeza de que tinha absorvido tudo. Esse deve ser o maior mérito da história, por amarrar bem as atitudes do Charlie e se mostrar um plot twist trágico o suficiente para fazer o livro não ser apenas um diário.

Parece mórbido o incômodo com o excesso de felicidade, mas é meio utópico um livro com tantas situações propensas a desfechos trágicos ser tão positivo ao final.

Outro fator que contribui para a positividade é o desfecho amoroso de Charlie e Sam. A amizade deles é bem delineada, assim como a convivência dele com seus sentimentos por ela. Apesar de a maior parte do livro sugerir que o “aprendizado” de Charlie é aceitar que a Sam não gosta dele, o final promove uma cena de amor dos dois. Não vejo isso com bons olhos, especialmente pelo problema que ele teve ao beijar a Sam em vez de a Mary Elizabeth, um bom ponto de virada para ele esquecer possibilidades românticas.

O enredo me prendeu do início ao fim, pela expectativa de haver uma revelação clara sobre o estado de saúde de Charlie ou quem era o receptor das cartas, alguma virada de roteiro em relação a isso. Essa expectativa foi um dos motivos de eu me frustrar no final. Vale ressaltar que Charlie fumava, bebia, dirigia e nenhuma dessas coisas deu problema para ele.

A maior lição de As Vantagens de Ser Invisível é direcionada aos jovens que, como Charlie, são invisíveis. Não fiquem parados achando que isso é ser um bom amigo. Não sejam passivos diante das coisas da vida. Participem e vivam, pois, dessa forma, poderão se sentir infinitos.


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