Crítica | As Vantagens de Ser Invisível (2012): os desajustados também podem viver

Uma bela história sobre adolescentes

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, originalmente) é um filme norte-americano lançado em 21 de setembro de 2012 nos Estados Unidos e em 19 de outubro de 2012 no Brasil. Tendo no seu elenco Logan Lerman (Percy Jackson e o Ladrão de Raios), Emma Watson (Harry Potter e a Pedra Filosofal) e Ezra Miller (Precisamos Falar Sobre O Kevin), o longa foi dirigido e roteirizado por Stephen Chbosky, autor do livro homônimo, cuja crítica encontra-se aqui.

As Vantagens de Ser Invisível (filme)
Percy, Hermione e Flash

O filme conta a história de Charlie (Logan Lerman), um garoto introvertido que está no colégio e tem de lidar com sua doença mental e a morte de um amigo. Sem amigos e se sentindo deslocado, é levado pelos irmãos veteranos Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson) para conhecer um mundo de festas, amizades e relacionamentos amorosos, em meio aos dramas da adolescência.

As atuações do trio principal foram boas. Lerman exibe de forma convincente a hesitação e a falta de confiança de Charlie, com destaque para o olhar vacilante. Ezra, embora competente na irreverência, em alguns momentos do início do filme me passou um ar caricato. Ainda na parte técnica, a trilha sonora e a fotografia trabalharam muito bem juntas em cenas como as na picape e no baile, onde a música não é um mero adereço, mas serve para construir uma atmosfera ao redor do personagem em tela.

A amizade de Charlie, Patrick e Sam é bem desenvolvida, dado o pouco tempo de duração que um filme pode ter. Cenas descompromissadas de Charlie e Sam tornam crível o seu relacionamento amoroso, diferente do namoro com a Mary Elizabeth, que soa abrupto. A sensação de aceleração permeia todo o filme, que parece ser um grande condensado de situações, o que de fato é.

O livro tem o formato de cartas, o que na adaptação acabou gerando inserções avulsas do “Charlie narrador”, as quais pouco se justificam e mais atrapalham do que ajudam. Apesar da revelação sobre a tia Helen, As Vantagens de Ser Invisível tem um enredo fraco, que mais serve como um relato sobre a adolescência do que uma história com começo, meio e fim. Uma boa forma de defini-lo, é como uma experiência marcante, não como um filme bom ou ruim.

O plot twist ao final do filme é mais explícito do que no livro, com repetições do mesmo flashback algumas vezes. Apesar de ser um tema pesado, o resto da trama é tão leve que ele não chega a tornar o filme negativo, e essa é uma das minhas críticas ao livro e ao filme.

Enquanto o livro não explora negativamente todas as situações de risco que aborda, o filme sequer contém várias dessas situações, como a gravidez e o fumo. O balanço geral acaba sendo muito leve, como se o filme romantizasse a adolescência, apesar de ter como protagonista um rapaz cujo melhor amigo se matou.

Outra diferença essencial entre o filme e o livro, é que o filme evita falar sobre a família de Charlie. O plot twist pesado sustenta a qualidade de As Vantagens de Ser Invisível, que é um filme satisfatório, mais romântico e mais leve do que o livro.


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