Crítica | Brightburn — Filho das Trevas (2019): a origem de um vilão

E se o Superman fosse intrinsecamente mau?

Brightburn – Filho das Trevas é um filme norte-americano lançado no Brasil em maio de 2019. Foi dirigido por David Yarovesky, roteirizado por Brian Gunn e Mark Gunn. Entre os atores principais estão Jackson A. Dunn, Elizabeth Banks e David Denman. Do início ao fim, o filme funciona como uma paródia do Superman.

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O lugar preferido de bebês aliens superpoderosos

Uma criança alienígena cai no terreno de um casal da parte rural dos Estados Unidos e eles decidem criar o menino como seu filho. Porém, ao descobrir seus poderes, ao invés de se tornar um herói, ele passa a aterrorizar a pequena cidade onde vive.

Brightburn é, em essência, a fusão de um filme de herói com um filme de terror. Existem elementos de ambos os gêneros presentes no longa. Há a evolução moral do protagonista, até seu ponto de virada, e há os — tão odiados por mim — jumpscares, somados a mortes violentas.

Brandon evolui ao longo da trama, progredindo na descoberta de suas habilidades e sentimentos. É possível creditar à puberdade a sua virada, embora ele seja um alienígena, pois a garota foi o estopim para as emoções despertarem nele uma pessoa vilanesca. Por gostar dela, ele foi ao seu quarto escondido e, por gostar dela, teve raiva e quebrou sua mão.

A falta de autocontrole o fazia explodir e chegar perto do que ele mais temia, perder o seu lado humano. A máscara, os assassinatos que cometeu para preservar a sua identidade — não querendo dizer que Brandon não era mau —, tudo foi feito visando manter a sua vida resguardada, na medida do possível.

Os efeitos especiais dão conta do recado, mas, se a Sony quiser expandir o filme para um universo compartilhado, precisará caprichar mais. Os sustos foram empregados em demasia nas situações mais imbecis, como muitos filmes atuais, porém, as cenas mais assustadoras eram aquelas em que Brandon aparecia desfocado, se movimentando. Quando estava parado e uniformizado, não deixei de reparar no quão ridícula era aquela máscara.

Uma sacada que me agradou foi utilizarem o olho furado da mãe da Caitlyn como um modo de mostrar Brandon entre a iluminação normal e um filtro avermelhado, que combina com o pôster do filme.

Ao longo das uma hora e meia de duração, vemos poderes desabrocharem e a bússola moral do protagonista o guiar para mais e mais assassinatos e dissimulações, culminando em um final coerente com o meio. Um fim trágico e premonitório de que os supervilões irão assolar o cinema Sony no futuro.

Existem filmes medíocres que terminam mal e deixam a impressão de serem ruins. Existem filmes medíocres que terminam bem e deixam a impressão de serem bons, e este é o caso de Brightburn. Nos minutos finais, temi que Tori usasse o pedaço da nave para matá-lo, pois seria forçado, depois de toda a demonstração de poder de Brandon. Ver os créditos finais após um desfecho não-feliz me deixou satisfeito com o filme.

Fica como destaque negativo a ampliação um tanto abrupta e offscreen dos poderes de Brandon. Não o vemos dar seu primeiro voo e experimentar a supervelocidade. Este é o lado mais “terror” da história, menos explicações e mais violência gratuita.

Com uma estrutura sólida, o filme se consolida como a origem de um vilão. Levando em conta o nível de poder de Brandon, não há como esperar por uma saga tal qual A Hora do Pesadelo ou Sexta-feira 13, mas, o gancho de haver mais criaturas no mundo pode ser utilizado para constituir um universo compartilhado de terror, ainda que eu receie quanto à probabilidade de isso dar certo, tendo em vista a dificuldade em manter o filme equilibrado entre a ação e o terror.

Em uma empreitada já realizada por outros filmes, como Poder Sem Limites, a Sony deixou Brightburn com um gostinho de quero mais e a esperança de ver o cinema de terror se alçar a voos distintos.


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