Crítica | Death Note vol. 4: Misa e o fator imprevisível

O humano que tocar no Death Note, logo após esse chegar ao mundo humano, será seu novo proprietário

Crítica do vol. 3                                                                                                          Crítica do vol. 5

O vol. 4 é provavelmente o início da queda de qualidade de Death Note. Depois de três volumes em alto nível, este se mostra menos empolgante. Muitos fãs atribuem a queda na qualidade à Misa Amane, mas eu discordo. Misa pode até ser inferior ao que poderia ser, mas a culpa não é apenas dela.

Misa Misa
A emoção que confunde a razão

Há toda uma trama relacionada ao envio de fitas com mensagens gravadas à TV, para o Segundo Kira e o Primeiro se comunicarem, mas é pouco interessante, tirando a curiosidade de saber quem é o Segundo. A parte mais chamativa é a da página do diário, com datas e lugares para distrair a polícia e o local onde ela estaria de fato.

A dica é óbvia, e mesmo que L não tenha sabido da distração, mandou averiguar os lugares mencionados. Neste ponto, Light fez algo impensável: ele se voluntariou para ir à Aoyama. Essa era mais uma indicação clara para L sobre onde estaria o maior risco, mas, mesmo assim, ele permitiu que o menos competente de seus homens fosse ficar de olho em Light. Matsuda até então não havia dado o menor sinal de talento para tal tarefa, chegando a ser incompreensível a sua escolha.

Como de costume, L continuou acertando na mosca suas deduções e Light seguiu precavido, frio e calculista. Entretanto, Death Note ganhou uma nova camada: a imprevisibilidade. Misa não é burra, embora não tenha um intelecto igual ao de Light, porém, é impulsiva e deseja, acima de tudo, encontrar Kira e tê-lo para si. Seu desejo a faz tomar decisões estranhas e perigosas, como ir até a casa de Light. E essa é a chave para que Kira ou L sejam derrotados.

Os gênios são cautelosos e estrategistas, porém, são racionais. Ainda que com certa dose de arrogância, as decisões tomadas por ambos são previstas e combatidas logicamente. As emoções de Misa a levam a confundir a racionalidade dos dois, e, dessa forma, propiciar aberturas que, de outro modo, não existiriam.

A entrada da emotiva Misa também trouxe Rem, o shinigami emotivo. Em uma demonstração do quão vulneráveis os humanos são diante dos shinigamis, Rem foi contra os pensamentos de Ryuk e ameaçou Light. Com grandes poderes sobrenaturais vêm grandes inimigos sobrenaturais, provavelmente numa tentativa de aliviar as “vantagens” de que Light dispunha na batalha contra L.

A sexualização da Misa não é um grande problema, já que há um contexto de personalidade e estilo de vida, contudo, sua forma de se vestir parece um tanto gratuita. Não que eu pretenda escrever um O machismo em Naruto versão Death Note, mas, cabe a reflexão quanto ao jeito que as personagens femininas são frágeis, enganáveis e facilmente seduzíveis pelo Light.

Para disfarçar o seu contato com Misa, Light passou a sair com várias mulheres, mas, para quem pouco saía antes, isto tornaria sua atitude mais suspeita. No fim, de nada adiantou o disfarce. L perseguiu as migalhas de pão e capturou o Segundo Kira.

A cena do telefone é uma das minhas favoritas em Death Note, e um claro exemplo da decadência intelectual de Light. Ligar para a Misa imediatamente após ela ver o L deu a ele um novo indício de que Light era Kira, afinal, o que mais justificaria ligar logo após estarem os três juntos? Neste ponto, com Misa entregando-o ou não, Light já estaria bem enrolado.

A consequência da falta de cuidado de Misa foi uma situação inacreditável: Light com o papo furado de “talvez eu seja o Kira de forma subconsciente”. Depois de todas as evidências apontando para ele, dizer aquilo foi quase como gritar “Ei! Me prenda e deixe meu plano funcionar e garantir meu álibi!”.

Os policiais japoneses deviam aprender um pouco com o L, pois é preciso ser muito tapado para não enxergar que Light obviamente era o Kira e estava tentando se safar. Aliás, Light se entregar voluntariamente para um confinamento poderia ser usado para invalidar seu álibi, já que ele poderia ser Kira dando um jeito de parecer inocente.

O vol. 4 de Death Note não é ruim, mas menos empolgante que os demais, pois a dinâmica de gato e rato se esfriou. É válido considerar que a abdicação do caderno significa que Light perdeu, e isso nos leva ao ponto mais baixo de Death Note, cuja resenha vocês verão na próxima semana, neste mesmo horário e neste mesmo blog, caso o Rei Shinigami me dê forças para não desistir de ler.

O humano proprietário do Death Note poderá ouvir e ver o shinigami que foi o dono original do caderno

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