Crítica | Dave Made a Maze (2017): uma experiência válida

Criativo, descompromissado e parodiesco

Dave Made a Maze foi um filme norte-americano lançado em 2017, dirigido por Bill Watterson, roteirizado também por Bill e por Steven Sears. Foi estrelado por Meera Rohit Kumbhani, Nick Thune e Adam Busch.

Maze (¹Ì·Î)
Imagine isso confinado, feito de papelão e com armadilhas

Dave (Nick Thune), um artista que ainda não conseguiu completar nada significante em sua carreira, constrói um forte em sua sala de estar devido à frustração, apenas para acabar preso nas armadilhas e criaturas criadas por ele mesmo. Ignorando seus avisos, a namorada de Dave, Annie (Meera Rohit Kumbhani), lidera um bando de estranhos exploradores em uma missão de resgate.

Conheci Dave Made a Maze na seção “terror” em um site de filmes e discordo de tal catalogação. A história se trata de uma aventura com foco em comédia e todo o filme gira em torno disso. Chega a ser difícil engolir a existência de um mundo imenso dentro de um conjunto de caixas de papelão, mas o roteiro afunila a descrença do espectador.

O longa trabalha durante vários minutos a perspectiva de que o mundo dentro do labirinto é maior, investindo também em piadas com a equipe que grava tudo e a grande quantidade de pessoas no apartamento. Aos poucos, fui aceitando as “regras” daquele mundo e, parcialmente, imergi na ideia.

Há pouca ou nenhuma tensão no filme, pois quase não há sangue. Isso amplia a desconexão com o drama dos personagens. Contudo, a trama empolga pela expectativa de ver “aonde aquilo vai”. Não é o suficiente para prender os olhos na tela, mas, impede que o espectador decida deixar de assistir.

As cenas no interior do labirinto fazem uso de efeitos práticos, especialmente com papelão, e garantem uma boa experiência pela criatividade. As armadilhas, as criaturas e o desenvolvimento da aventura são quase líricos. A escolha pelo que se vê e o que não se vê traz alguns momentos de suspense que independem da qualidade dos efeitos usados nas armadilhas.

O filme não se leva a sério. Seu humor brinca com o quão preocupados estão os personagens e o quão ridícula é toda aquela situação. Algumas cenas são longas e repetem o mesmo mecanismo para construir uma atmosfera nível Chaves ou Os Trapalhões de humor. Apesar de engraçadas, tais cenas podem soar repetitivas e arrastadas, dentro do pouco tempo de filme.

O grande mérito de Dave Made a Maze é a criatividade. Dentro do labirinto, há cenas que brincam com a perspectiva e a organização espacial. Os medos e desafios que os personagens enfrentam agradam mais pela curiosidade de sua formação do que pela expectativa de vê-los vencer ou perder.

O labirinto é coerente na sua loucura, com a forma encontrada por Dave para destruí-lo. O fim do filme sacramenta a imagem de paródia deixada ao longo de seu trajeto e o encerra como uma experiência válida e satisfatória, mas nada além de uma nota 5.

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