Crítica | Death Note vol. 7: Kira e L > Mello e Near

Se um humano utilizar o caderno, o dono shinigami original deve aparecer para o humano em até 39 dias após esse uso

Crítica do vol. 6                                                                                                          Crítica do vol. 8

A expectativa no desenvolvimento deste volume é alta. L próximo à verdade e o plano do Light chegando ao fim. Apesar de entregar uma qualidade razoável, o vol. 7 de Death Note inicia uma série de más decisões criativas de Tsugumi Ohba.

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O fim da parte boa

Depois de tanta investigação, finalmente o Death Note chegou às mãos do L. Nesse momento ele cometeu um erro fatal, o maior de toda a trama: deixou o Light pegar o caderno. Se a sua suposição já era a de que Light havia deixado de ser o Kira, impedi-lo de tocar o Death Note seria a decisão mais óbvia. Claro que L merece um desconto, afinal, naquele momento, estava deduzindo que existiam dois cadernos.

No anime, a cena da recuperação do caderno é muito melhor, por conta dos efeitos sonoros. Acredito, inclusive, que seja a parte mais legal do Arco Yotsuba. Light voltou a fazer cara de psicopata e descobrimos que foi tudo conforme planejado. Mais uma vez, Ohba usou o artifício do flashback para explicar o plano, algo que entedia e incomoda, como já apontei em outra resenha.

E que plano arriscado. Light presumiu que, além de reaver o Death Note, estaria com seu relógio “especial” e conseguiria matar o Higushi, para assumir a posse do caderno. Um excesso de confiança perigoso.

Uma constante nessa fase de Death Note é a postura da Rem como um observador que afirma o óbvio. Seus comentários não acrescentam rigorosamente nada (até porquê, Rem, em geral, não sabe bem o que está ocorrendo) e soa como se Tsugumi Ohba chamasse o leitor de burro.

Quando Light se entregou à prisão temporária, tal decisão foi estranha, de motivo obscuro e suspeita. O raciocínio lógico ao pegar o Death Note e ver a regra dos treze dias seria suspeitar que Light era Kira e a escreveu para ter um álibi, afinal, era muito conveniente. Se L já suspeitava, com aquela regra era quase certo, bastando um teste para comprovar a veracidade dela.

L teve mais momentos de inteligência. Deduziu o acordo dos olhos, cogitou a possibilidade de estar errado e supôs que Light poderia matar escondido usando pedaços do caderno, mesmo durante o período de vigilância ou quando ambos estavam próximos. Então L viu uma isca, a possibilidade de Misa ser o Kira novamente.

Antes do clímax, outras coisas no lado Kira merecem atenção.

Misa cortou novamente metade de sua vida para ter os olhos de shinigami, só que não dá para saber qual era a sua expectativa de vida porque o shinigami que morreu transferiu a expectativa de vida para ela. Uma ferramenta bem obediente para Light.

Durante o rearranjo da investigação, Light deu uma ordem insana: investigar cada morte acidental ocorrida em Kanto desde que Kira apareceu. Se pensar que tudo desde a morte do Lind L. Taylor não serviu de nada, seria quase impossível encontrar Kira.

Só que L tinha seus testes a fazer. Numa tática suicida, Light se colocou junto com Misa na mira do L, bastando o teste da regra para ambos serem condenados como Kira. Essa aposta no amor de Rem pela Misa foi um sucesso, mas, fica claro o quão irresponsável o Light é em seus planos.

A morte do L foi impactante. No anime, é um dos episódios mais densos e mais pesados que já assisti. Ele morre ciente de que o homem que o segura sorrindo é o Kira. Sobre a teoria do L vivo, algo deve ficar claro. Para L anular sua morte através da escrita simultânea, precisaria estar sincronizado com Rem, porém, naquelas condições, ele só saberia que seu nome foi escrito após a morte de Watari, mais de 30 segundos depois.

A partir daí, Light vive sua apoteose. Pega o Death Note da Rem, mata os personagens extras do arco Yotsuba, vira o novo L e passa cinco anos brincando de gato e rato consigo mesmo. Esses cinco anos não me descem.

É difícil acreditar que a polícia japonesa é burra o suficiente para não perceber que Light é o Kira estando cinco anos ao seu lado, mesmo depois de toda a suspeita que L teve. O pior é que bastaria um deles testar o Death Note, para checar a regra dos treze dias, e o Light ficaria encrencado. Essa falta de inteligência é extremamente forçada.

Mas o reino de Kira é interrompido por Mello, o rapaz obcecado por ser o melhor, e Near, o rapaz que vive jogado no chão com seus brinquedos.

A existência do orfanato do Watari como uma espécie de escola de Ls é algo que diminui o peso do próprio L, já que ele deixa de ser alguém especial e vira o produto de uma indústria de detetives.

É engraçado que parece que o Tsugumi Ohba copiou mal copiado de si mesmo, pois N e M são versões menos justificadas do L. Mello come chocolate porque sim e Near brinca com brinquedos porque sim. L comia muitos doces por queimar calorias com o cérebro, fora o tempo absurdo que ele ficava acordado. Não era mero capricho.

É forçado o jeito que o Near aparece jogado no chão; é forçado o pressuposto de que N e M conseguiram, partindo do zero, descobrir que o Death Note estava com a polícia japonesa; é forçada a forma com que Tsugumi Ohba tenta fazer o leitor se importar com a rivalidade/dicotomia entre essas duas cópias mal feitas do L.

Com personalidades diferentes, os sucessores do L usam métodos distintos. Mello usa a máfia para sequestrar pessoas ligadas à polícia japonesa e Near pede, por gentileza, para que entreguem o Death Note. Começa então uma trama complexa que une Kira, Mello e Near.

O sequestro da Sayu Yagami é um plot twist de impacto, só que o desenrolar da investigação (que praticamente não existe, temos que supor que faz sentido Near e Mello saberem do que sabem) é tão abrupto que tira o leitor da trama, fazendo parecer que os autores estão correndo para chegar à ação.

Uma amostra da forma superficial com que Tsugumi Ohba demonstra a personalidade de seus personagens é o flashback (por que tanto flashback?) da reação dos sucessores à morte do L. Mello faz uma careta exagerada e Near é indiferente. Isso somado à ausência de informações que temos sobre ambos torna Near e Mello personagens antipáticos.

O vol. 7 de Death Note não é pior que os dois anteriores, mas a perspectiva do que vem a seguir é tenebrosa.

A princípio, o shinigami não pode ajudar o proprietário atual, nem prevenir as mortes que ele pretende causar

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