Crítica | Death Note vol. 11: Near e os passos largos para o fim

Se uma pessoa escrever errado quatro vezes intencionalmente, ela morrerá e a vítima continuara vulnerável ao caderno

Death Note vol. 10

O volume 11 de Death Note é como um gigantesco funil que filtra os personagens e as situações de modo a encaminhar tudo para o confronto final, o plano derradeiro. Para chegar a este ponto, Tsugumi Ohba resolveu algumas questões com exageros, conveniências e decisões questionáveis. A primeira delas apareceu logo no início, quando Near chamou Lester de volta aos EUA para que este pudesse lhe acompanhar na viagem até o Japão, pois Near nunca viajou assim. Essa cena é nada além de patética.

Near e Light Yagami abriram o jogo em um diálogo bem bobo. Ambos disseram mais de uma vez, inexplicavelmente, que estavam no Japão. Near revelou que a SPK é formada por 4 pessoas e que todos estão na terra do sol nascente. Também disse que a investigação do Kira era uma batalha para mostrar quem é o melhor. Essa postura teve o objetivo claro de instigar o lado competitivo de Light.

Essa exposição da situação foi uma das formas de Near e Light colocarem as cartas na mesa e atraírem um ao outro para sua armadilha.

Quando Near expôs as possibilidades de enfrentar Kira, levantou a ideia de matar L-Kira e X-Kira, mas também a rejeitou, argumentando que esse não seria o jeito de L. Sua escolha por capturar Light com provas, de forma incontestável e humilhante, bate com a admiração profunda que sente por L, fato este que comentarei numa futura resenha.

Mais uma vez, Light mudou de Kira, fazendo Takada matar criminosos, não Mikami. Teru ainda teria de usar um caderno falso como uma isca para Near acreditar que ele é X-Kira. Essa medida de jogo aberto é brilhante, já que Light escancarou uma dedução de Near mantendo um segundo nível de preparo, ludibriando o raciocínio do tal “sucessor de L”.

Mas como nem tudo são flores, o jeito que Light deduziu que Ridner é da SPK não é incoerente, é nulo. Ele olha para ela e diz “se alguém ali é da SPK, tem que ser essa mulher”. Esse é o roteiro de Ohba, entre altos e baixos.

Encaixando as peças do quebra-cabeça, Near entendeu a realidade: a relação entre Takada e Light era uma coincidência, já que Mikami matou Demegawa e a escolheu como porta-voz sem ouvir ordens diretas. O problema aqui é como Near encontrou Mikami. Após decidir investigar todos os programas em que Takada participou, a fim de encontrar potenciais suspeitos, Near chegou ao Mikami em apenas uma página e meia de observação. Muito rápido. Muito forçado.

Neste volume, Mikami apresentou alguns problemas de roteiro. Seu metodismo exagerado quanto a ir à academia toda quinta e domingo, inclusive em feriados e Ano Novo, foi desnecessário e irreal. Se o único propósito era tornar a vigilância mais fácil, não precisava ser tão perfeccionista e excêntrico.

Por causa do risco de haver um shinigami acompanhando Mikami, Tsugumi Ohba criou uma situação em que Teru disse que o shinigami não estava com ele e Lester fez a leitura labial, por meio de uma gravação feita por Gevanni. Por mais que Mikami possa ter dito aquilo de propósito, a forçação de barra que é essa leitura labial instantânea não se justifica, pois depois Near ordena a Gevanni que toque o caderno e espera 23 dias para ter certeza de que ele não estava sendo controlado por Kira. Essa última ação por si só faria sentido e iria condizer com a dinâmica de Death Note, tornando a leitura labial sem função narrativa.

Para ganhar a confiança de seus homens, Light seguiu fingindo que estava investigando, algo que Aizawa começou a compreender. Nessa estratégia, ele desenvolveu uma suposta traição de Takada ao Kira, só que isso não fez nenhum sentido. O roteiro que Light escreveu para ela era bobo e superficial demais para convencer alguém com dois neurônios de que a fiel seguidora de Kira entendeu que capturá-lo tornaria sua vida melhor. Isso sem contar que a Takada deveria ao menos mencionar o fato de Light ser um tremendo mentiroso, que fingiu ser favorável a Kira.

Outro momento bobo de Near foi dizer que Light é popular, ao ser questionado sobre o significado da desavença entre Takada e Misa.

A desconfiança de Aizawa o levou a finalmente bolar uma ideia para descobrir se Light é inocente ou não: marcar os blocos de notas do quarto em que Light e Takada se encontrariam. Assim, ele conferiu que algumas marcas sumiram, e, portanto, havia bilhetes sendo passados entre ambos.

A pergunta que fica é: Light foi imprudente ao ponto de não checar se havia sinais nos papéis ou foi arrogante ao ponto de achar que Aizawa ter certeza de que ele era Kira não era um problema? Vejo embasamento para as duas conclusões. Light já foi burro e extremamente arrogante em suas decisões.

Aizawa contou sua descoberta e Near o humilhou, desdenhando de sua informação, sendo que era a confirmação das suposições de Near. Neste ponto, Near se mostrou mais arrogante que L, pois L jamais desdenharia de certezas, em detrimento de suas suposições. Para completar o tapa na cara, Near disse que os integrantes da Força Tarefa eram apenas insetos para Kira.

Em mais uma jogada de seu plano, Near capturou Mogi e Misa para distrair Light, enquanto Gevanni pegava o Death Note de Mikami. Foi revelado que Mikami preenche uma página do Death Note por dia, o que me fez pensar: e se o caderno acabasse? Escrevendo nesse ritmo, dificilmente o caderno duraria. Em todo Death Note não são explicados os métodos usados para que o caderno não acabe, uma curiosidade minha.

Não tenho certeza de que seria melhor ou pior se o lado sobrenatural de Death Note recebesse mais explicações e descrições.

Na reta final do volume 11, Near e Light acertaram os detalhes de seu encontro. Near pediu para se encontrar com Light com o objetivo de mostrar-lhe uma coisa relacionada ao Kira. Essa desculpa é tão imbecil que soa como “ei, L, vamos nos encontrar pra você tentar me matar e eu te pegar?”. Light só aceitou porque isso fazia parte de seu plano.

Eis as condições exigidas por Near: todos os envolvidos no caso Kira deviam estar presentes e o Death Note da polícia devia estar lá. Assim a ocasião se tornou perfeita para que Light matasse todos os que estavam em seu caminho, sem que sobrasse alguém que pudesse se tornar um inconveniente futuro, exceto, talvez, por Mello. Digo talvez porque Light acreditava que Mello nunca seria ouvido, devido aos seus crimes.

Light sabe o plano do Near. Near sabe o plano do Light. Eu não sei o plano de nenhum dos dois. Há vários quadros de passagem de tempo que mostram os personagens fazendo coisas sem diálogos, o que sugere que no volume 12 Tsugumi Ohba irá fazer um flashback para explicar o que estava acontecendo durante esse período. Interessante como estou sofrendo por antecedência com essa escolha — reincidente, devo dizer — de usar flashbacks para explicar planos.

Num volume em que não existem surpresas, apenas a previsibilidade das ações e deduções de Near e Light, a sensação constante era a de que a única virada de mesa que ocorreria nesse final de Death Note seria no dia 28/01. O dia do armazém. O título do episódio 36 do anime. Mas, o Tsugumi Ohba que tanto critico guardou uma ação significativa para o final.

Depois de muito tempo sem ser de fato relevante, Mello sequestrou Takada, uma possibilidade que eu mencionei ao comentar sobre a escolha de um porta-voz. Essa atitude do Mello era a maior curiosidade que eu tinha antes de começar a ler esta segunda metade de Death Note, pois não sabia o que eu iria achar disso.

Em síntese, o vol. 11 de Death Note é um grande esquenta para o confronto final, mostrando Light e Near cientes de que o fim viria no encontro pessoal tão desejado por ambos.

No caso de uma pessoa que tenha desistido da posse de seu Death Note entrar em contato físico com outro Death Note, terá sua memória de volta enquanto mantiver o contato

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