Crítica | Highschool of the Dead vol. 2: adolescentes, zumbis e a loucura humana

O vol. 2 de Highschool of the Dead expande o universo para além da escola. Ele carrega também uma interessante dicotomia entre a perda da humanidade e a luta pela sua conservação. Lendo este volume também percebi algumas coisas sobre a arte de Shouji Sato.

Neste volume, a narração pós-apocalíptica continua, e devo dizer que isso me irritou ao longo de todos os capítulos. Essa saturação de comentários repetitivos sobre “fim do mundo” torna a narração desnecessária, cansativa e desagregadora. Parece só um enchimento de linguiça nada criativo.

Sobre a arte, é quase inacreditável os dois extremos que Highschool of the Dead atinge. Shouji Sato é excelente desenhando armas de fogo e veículos. A qualidade dos quadros com aviões, helicópteros e carros é alta o suficiente para me fazer voltar só para ter certeza de que realmente gostei. As armas, tanto as pequenas quanto as grandes, são quase palpáveis.

Esses elementos contrastam notavelmente com o resto, que parece mais um esboço de mangá.

A começar pelo físico dos personagens, que é ridiculamente desproporcional. Evidente que o apelo ecchi interfere nisso, mas há um personagem mau com um tronco inexplicavelmente gigantesco, parece até alienígena. O outro problema é corriqueiro e está em quase todos os quadros: branco.

Shouji Sato simplesmente não desenha cenários. Ele deixa os personagens flutuando em um fundo branco. Quando não é totalmente branco, tem poucos traços. Mesmo nas cenas mais abertas, nas quais é impossível deixar de desenhar o cenário, Shouji Sato encontra locais para não desenhar. Não raramente se vê construções envoltas por um branco estranho, que parece uma camada de energia.

Depois que eu percebi a frequência desse problema, não consegui deixar de reparar em cada quadro com pobreza de detalhes.

Personagens terciários, principalmente homens, tem um design tosco, preguiçoso e mal trabalhado, diferindo grandemente dos protagonistas.

Cabe ressaltar o uso do preto. A princípio acreditei que fosse algo positivo, para aumentar a escala de cores, mas as cenas noturnas do vol. 2 me fizeram crer que talvez seja mais preguiça do Shouji Sato. Em vez de desenhar um cenário, ele deixa um fundo preto ou branco. Impressionante.

Agora sobre o enredo:

Ficou claro que Hirano e Takashi estavam deixando de serem humanos. Eles começavam a gostar desse mundo em que podem arrombar locais e matar pessoas. A existência dos zumbis foi a desculpa perfeita para todos deixarem aflorar sua selvageria. Desde a violência leve dos protagonistas, passando pela brutalidade repulsiva de pessoas comuns (que se matavam sem motivo algum) até a “selvageria carnal” promovida por Shidou, a qual ocorre em algum volume adiante.

Além de servir como desculpa, os zumbis acabam anestesiando a percepção de realidade, certo e errado das pessoas. Como já mencionado no A função da crítica, quanto mais se é exposto à violência, mais se tolera a violência, até o ponto em que praticá-la deixa de ser uma ação imoral.

O ônibus do grupo do Shidou ficou preso num congestionamento, que ocorreu devido ao tráfego ter sido controlado pela polícia, em uma tentativa de conter a contaminação e proteger os saudáveis. O problema é que isso levou à condenação daqueles que se encontravam do lado contaminado do rio.

Com a estrutura de segurança e justiça colapsando, não tardou a ocorrer a decisão coerente e desumana de matar todos aqueles que pudessem levar a contaminação para o ambiente que foi mantido seguro. Definitivamente, esta é a maior prova de que o conceito de certo ou errado foi para o espaço.

Com a concretização dos planos de Saya Takagi, a turma do Komuro descansou no sobrado da amiga policial da Doutora Shizuka. Se Highschool of the Dead fosse um shonen de porrada, esse seria o momento de “treino na Sala do Tempo”. Um pouco de leveza e upgrades de inventário. Assim, Hirano e Komuro conseguiram armamento novo. Apesar de ser um tanto arriscado o usar, afinal, os zumbis são atraídos por barulho.

Em uma bela expressão dualística, embora este volume tenha explorado a degradação moral humana e a perda dos valores, ao seu final, Hirano e Komuro decidem fazer o que é certo, deixando de lado a frieza moral que parecia ser a escolha mais segura: salvar a garota recém-orfã.

De posse dos novos companheiros, a garota e o cão, a turma do Komuro pegou o carro do sobrado e se dirigiu para o próximo objetivo.

O vol. 2 de Highschool of the Dead é eficiente em expandir o universo e evoluir a experiência num mundo dominado por zumbis: o convívio entre amigos VS a lei e a ordem.

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