Crítica | La Tutora (2017): uma babá e seus dois selvagens protegidos

La Tutora é um filme argentino lançado em 2017. Foi dirigido e roteirizado por Iván Noel em conjunto com Henry James. Teve em seu elenco Romina Pinto, Cristina Maresca, Julio Mendez, Valentino Vinco e Malena Alonso. O longa possui 114 minutos de duração.

Mona (Romina Pinto) consegue seu primeiro emprego de tutoria de duas crianças órfãs que vivem em uma casa abandonada no norte do país. Sua obsessão com a tentativa de educar estas duas crianças quase selvagens a deixa cega para o fato de que eles têm outros planos para ela.

La Tutora foi um filme que assisti sem nenhuma expectativa e sem nenhuma ideia do que ele trataria. Ao final, a sensação foi de que valeu a pena vê-lo. Me empolguei na última meia hora do longa e, caso precisasse dar uma nota, não seria menor que 6. Apesar dos meus elogios, La Tutora possui grandes problemas técnicos.

A fotografia e a edição são pobres. Há poucos enquadramentos e muitos cortes bruscos sequenciais. A falta de transições suaves dá a impressão de ser algo amador, como um vídeo de rede social. O estilo artístico também é questionável. O filme é um tanto sujo, tem muitas cenas escuras e algumas cuja compreensão é difícil.

As cenas de dança do Ángel foram as piores. Câmera balançando, para emular loucura ou confusão, uma dança bizarra e sem sentido junto com uma trilha sonora horrenda, que acompanha a maior parte do filme.

Sobre a trilha sonora, ela é pobre e repetitiva. A sua simplicidade atrapalha em alguns momentos. Na cena que mencionei antes e em algumas pretensas cenas de tensão, toca uma batida estilo We Will Rock You sem pé nem cabeça. A trilha acaba, nesses momentos, tirando a tensão da cena, em vez de acrescentar.

Se tecnicamente ele é tão sofrível, o que pode haver de bom? O roteiro. O mistério conduzido pela trama surte efeito, devido às pinceladas de informações aqui e ali. Não é algo muito surpreendente, mas o suficiente para que o espectador veja e pense “Ah, faz sentido”.

O que ficou para mim como o mais interessante das revelações, foi que o passado abusivo da Mona explica porque ela parecia se importar mais com Ángel e porque se preocupava tanto com o contato entre os dois irmãos, ao ponto de repreendê-los por motivos pouco relevantes. A construção de que ela também tem seus problemas foi bem empregada, natural e progressivamente.

O final é infeliz, mas condizente com a atmosfera que circundava o filme. Desde a primeira cena era possível prever que aquela mulher cheia de olheiras iria ter um fim negativo. Gosto de finais coerentes, sejam eles felizes ou tristes.

La Tutora é um filme um pouco longo para seus defeitos técnicos, mas vale conferir, desde que de forma descompromissada.


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