Crítica | Highschool of the Dead vol. 4: Saeko e o prazer assassino

O vol. 4 de Highschool of the Dead explora de forma mais profunda os personagens Shidou e Saeko Busujima. Esse maior nível de detalhamento aumenta a consideração que tenho por Daisuke Sato e torna o volume 4 muito bom, além da qualidade dos outros três volumes.

No aeroporto, Rika e Tajima executaram um plano de incendiar os zumbis, o que não funcionou e levou à morte de Tajima e zumbis de fogo ambulantes. De 30 mil pessoas que haviam no aeroporto, sobrou apenas mil, o resto se foi pelas mãos dos zumbis. Ficou claro que a capacidade de proliferação deles é esmagadora para qualquer zona urbana.

Numa conversa com Soichiro Takagi, Komuro retomou a questão de qual decisão tomar, e sua escolha foi ir atrás de sua família, descobrir se estavam bem ou não. O grupo do Komuro ganhou um buggy anfíbio de 8 rodas para utilizar em sua empreitada, sendo que inicialmente iriam apenas Komuro, Rei e Saeko. Aquela altura, se despedir poderia significar um adeus, e Saya sabia disso.

Depois da chegada do ônibus escolar ao refúgio dos Takagi, foi revelado o passado do Shidou por meio de um flashback. Seu pai é um parlamentar importante que traía a esposa — a qual morrera devido ao alcoolismo — e que escolhera o filho tido com a amante para ser um representante político. Shidou percebeu o mau caráter do pai, mas, em vez de iniciar uma guerra, decidiu colaborar com a vida política até encontrar uma forma de arruinar a própria família.

O caminho dele e de Rei se conectou quando, a pedido do pai, Shidou reprovou Rei para dar um recado ao pai dela, um policial que estava procurando irregularidades na vida do pai de Shidou. É por isso que Rei o odeia, talvez não tão corretamente quanto pensa.

Os países munidos de mísseis nucleares seguiram disparando, o que ocasionou um Pulso Eletromagnético, o qual inutilizou a maioria dos equipamentos nos locais onde os personagens estavam. Com o PEM, o ônibus escolar perdeu o controle e quebrou a barreira do refúgio dos Takagi, colocando todos ali em risco. Não foi deixado claro o destino do grupo de Shidou após esse acidente.

Soichiro explicitou para Rei a necessidade da escolha de matar ou poupar Shidou, através dela trabalhando o caráter de Rei. Seus diálogos com Saeko, Saya e Komuro sugerem a mesma coisa. É difícil dizer se Soichiro previa a própria morte, mas é certo que ele acreditava no potencial daqueles jovens em serem grandes líderes em meio ao apocalipse zumbi.

Com a garra de seu grupo, é bem provável que os Takagi tenham sobrevivido de algum modo, e espero que eles retornem no futuro, para ver o amadurecimento de Saya e seus amigos.

Devido ao PEM, o buggy do bando do Komuro era um dos únicos barulhos na cidade, o que atraía os zumbis. Para poder se livrar desses perseguidores, Komuro e Saeko ficaram rodando com o carro enquanto os demais se locomoviam a pé até o ponto de encontro. Evidentemente, Rei ficou com ciúmes da proximidade de Saeko e Komuro. Talvez por sentir que seu interesse egoísta a faria perdê-lo para a espadachim.

Em vários momentos do mangá fica claro que Komuro vê a Saeko como mulher e, mais para o final deste volume, parece que — parafraseando Peter Quil — há uma “coisa implícita” entre ambos. Há demonstrações de afeto e sugestões, através do semblante dos personagens, que tornam evidente a conexão romântica.

Num momento de maior intimidade, foi revelado o lado louco da Saeko. Basicamente, ela sente prazer em matar zumbis e antes sentiu prazer em ferir gravemente um homem. Como no título desta resenha, Saeko tem um prazer assassino e isso a assustou ao ponto de deixá-la inerte, sem reagir.

Provavelmente ela teria morrido se Komuro não a acordasse para a realidade. As palavras de Komuro levaram Saeko a se aceitar, com seu lado bom e seu lado ruim. Isso os consolida como um casal ideal, pois Saeko será um freio para o lado fraco de Komuro e este será um freio para o prazer assassino dela, formando uma liderança equilibrada.

A Saeko só pode liberar o prazer assassino se o Komuro estiver com a cabeça no lugar para tomar decisões frias, tal qual Soichiro Takagi o fazia. Imagino que depois dos eventos do volume 4 de Highschool of the Dead o Komuro superou a “dúvida”, a falha em sua convicção. Digo isto baseado na descoberta sobre a conexão entre a Rei e o Shidou e a forma com a qual Komuro fala da Rei, que soa como se ele a houvesse superado.

Ao terminar de ler o volume 4 de Highschool of the Dead a sensação predominante é de que estou vendo um grande épico e que, em volumes posteriores, o grupo do Komuro estará crescido e liderará muito mais pessoas do que vimos o próprio Soichiro Takagi liderar.

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