Crítica | Shingeki no Kyojin vol. 1: o herói, o covarde e os titãs

Shingeki no Kyojin (Attack on Titan ou Ataque dos Titãs) é um mangá escrito e desenhado por Hajime Isayama. Desde 2010 os volumes são lançados pela editora Kodansha no Japão, e, no Brasil, desde 2013 pela Panini Comics.

Shingeki no Kyojin é, resumidamente, um apocalipse zumbi. Só que os zumbis são gigantes super fortes, resistentes e quase invulneráveis. Isayama trabalha muito bem a sensação de desespero provocada pela diferença de forças entre a humanidade e os titãs. No prelúdio é mostrado o retorno da Divisão de Reconhecimento, os humanos valentes que se arriscam explorando o território dos titãs. Por volta de 80% dos integrantes da divisão foram mortos.

Embora a perspectiva de mundo fora das muralhas, erguidas para impedir a extinção da humanidade, seja de grande extensão, ou pelo menos não tão limitado quanto o território atual dos humanos, é mais seguro e confortável sobreviver do lado de dentro das muralhas. Vivendo como gado, como disse o jovem determinado Eren, prisioneiros dos titãs.

Mikasa não chegou a deixar claro que tinha interesse em saber mais sobre o mundo exterior, mas certamente acompanharia Eren ao longo de sua jornada de reconhecimento, mesmo sem pensar da mesma forma. Essa relação de proteção, semelhante a algo como irmã mais velha e irmão mais novo, é interessante, apesar de a Mikasa corresponder ao estereótipo da garota super forte e centrada (tal qual é a Saeko Busujima, em Highschool of the Dead).

Ainda no prelúdio, fica claro que o Armin é um pessimista chorão com ímpeto explorador, mas de convicção inferior a de Eren ou Mikasa. Definitivamente, ele era o elo fraco do provável trio de protagonistas. Então surge o Titã Colossal, um titã muito maior do que qualquer outro, maior do que a muralha que protegera a humanidade por uma centena de anos. Ele abre um buraco na muralha e restaura o pavor no gado tranquilo de outrora.

Em uma explicação um pouco mais clara sobre o mundo, foi dito que há 107 anos a humanidade foi devorada pelos titãs, mas os poucos sobreviventes conseguiram construir aquelas muralhas que impediam os titãs de passarem. A pergunta que fica é: se os titãs massacraram a humanidade, como conseguiram construir a muralha? Ela é grande demais para imaginar que o fizeram rapidamente.

Existem três divisões: Reconhecimento (exploradores), Guarnição (defensores das cidades) e Policiamento (mantenedores da lei e da ordem). A Divisão de Policiamento trabalha junto com o rei e, portanto, fica no centro, o lugar mais seguro do território humano. Faz sentido que seja algo mais especial e almejado por todos. Me pergunto se há um limite para a Guarnição, já que parece evidente que entre Guarnição e Reconhecimento devem escolher mais a Guarnição.

A humanidade tentou retomar o território perdido com um ataque maciço e acabou perdendo 20% de sua população. Esse número absurdo demonstra o quão perto está da extinção e aumenta o clima de desespero, especialmente complementado pela segunda aparição do Titã Colossal. A bravura do Eren não foi o suficiente para derrotar o titã, mas ficou claro que o inimigo principal era inteligente e de algum modo conseguia desaparecer abruptamente. Isso me pareceu uma sugestão de que o “big boss” de Shingeki no Kyojin será o Titã Colossal.

Apesar da qualidade do traço do Isayama ser limitada, destaca-se a qualidade nas cenas de ação. E o final do volume 1 de Shingeki no Kyojin é repleto de ação, bem arquitetada e extremamente dramática.

É de arrepiar as cenas dos recrutas sendo massacrados e o próprio Eren sendo derrotado. Tudo tem peso, tudo é impactante e extremamente triste. Eu lamento pelos que morreram e principalmente pelo Eren. Além da tristeza, eleva-se a revolta, devido à postura covarde do Armin.

Armin ficou parado enquanto seus companheiros lutavam pela sobrevivência da humanidade e, de imediato, pela própria vida, mas Armin não fez nada. Antes que ele fosse devorado como o tolo que era, Eren, o verdadeiro herói, o salvou, ao custo de sua vida, sendo engolido no lugar de Armin.

Apesar dos mistérios envolvendo o pai do Eren e a própria existência dos titãs, para mim, o volume 1 de Shingeki no Kyojin é excelente como uma história completa, pessimista e demonstradora de que verdadeiros heróis acabam morrendo para salvar moleques covardes. Trágico ao mesmo tempo em que é bonito e humano. Coisas ruins acontecem, e isso é normal.

Não sei se vou resenhar o resto de Shingeki no Kyojin, então quero fazer um último comentário. Eu odeio o Levi porque ele esfacela todo o risco que eu apontei como excelente neste primeiro volume. Acho que podem subentender outros problemas meus com Shingeki no Kyojin, os quais não posso dizer por ser spoiler.

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