Crítica | Dragon Ball vol. 1: o garoto-macaco super forte e a adolescente genial

Correr e pegar as Esferas do Dragão

Dragon Ball é um mangá escrito e ilustrado por Akira Toriyama (Dr Slump). A obra foi publicada semanalmente pela Weekly Shonen Jump entre 1984 e 1995 e gravou seu nome na história, como um dos maiores — senão o maior — mangá de todos os tempos. Embora Dragon Ball tenha se consagrado como uma história de lutas, seu início focava mais em aventura. E uma boa aventura.

Akira Toriyama gasta 50 páginas construindo os personagens principais e o mundo para o leitor. O choque de realidades para o selvagem Son Goku rende boas piadas e demonstra o quão ele é ingênuo, bondoso e forte. Por outro lado, o pouco que vemos de Bulma já mostra que ela age como for preciso para alcançar seu objetivo, inclusive fazendo Goku de idiota. Bulma sabia que as Esferas do Dragão se perderiam após o pedido ser realizado, mas, mesmo sabendo da importância inestimável que a esfera de 4 estrelas tinha para Goku, ela seguiu enganando-o.

Goku também representa o leitor na descoberta das funcionalidades daquele mundo. Tanto nas capacidades das capsulas quanto na própria história das Esferas do Dragão. Um dos maiores desafios para escritores de fantasia é encontrar uma boa justificativa para esses diálogos expositivos necessários para que o leitor compreenda o que realmente está lendo.

E o mundo de Dragon Ball é bem curioso. Têm dinossauros, animais falantes e até transmorfos. A aparição de Oolong reforça a bondade de Goku, a falha no caráter de Bulma e ainda passa uma bela mensagem. Se tiver coragem para enfrentar os desafios, talvez descubra que eles não eram tão grandes quanto você imaginava.

É acertada a forma como Goku conheceu o Mestre Kame, mas foi extremamente conveniente ele ter uma Esfera do Dragão. Akira podia ter optado por mais algumas cenas de procura na floresta e deixar para o Kame apenas a Nuvem Voadora. É interessante ver a nuvem como um prêmio que Goku recebe por ser puro, em meio a um mundo impuro.

Com a aparição de Yamcha, Akira explicou ao leitor que naquele mundo existem pessoas fortes. Um simples bandido conseguiu enfrentar Goku — o que ainda é um grande feito, mesmo que Goku estivesse com fome — e sobreviver a um de seus golpes (num quadro particularmente engraçado, Yamcha ricocheteia na parte superior do quadro e o quebra. Praticamente uma quebra da quarta parede).

Levando em conta que Goku é capaz de sobreviver a tiros, podemos presumir que mais pessoas no mundo podem fazer isto. Essa perspectiva é validada pela menção a outros guerreiros, como Son Gohan, Gyumaoh e o Mestre Mutenroshi. O mundo é cheio de gente forte e gente má. O porco tarado, a adolescente que quer um namorado, o bandido que quer um lanche e o bandido que quer perder o medo de mulheres. Gente má e fútil.

A arte de Dragon Ball é regular. Os cenários muitas vezes são simples, mas os personagens são bem caracterizados e detalhados. As cenas de ação são fluídas e funcionam bem, até pela diversidade de golpes.

Outro ponto a comentar é o humor. Akira Toriyama carrega nas piadas e suas cenas cômicas são bem “quinta série” com tarados e a ingenuidade do Goku provocando momentos constrangedores. É engraçado, é leve e funciona, caso o leitor esteja olhando descompromissadamente.

Em síntese, o volume 1 de Dragon Ball contém todas as características de Dragon Ball “Clássico”: motivações esdrúxulas, aventura, ação e humor de quinta série. E Akira Toriyama conduz isso tudo com grande competência.

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