Crítica | Miss Violence (2013): a omissão, a destruição e a perpetuação

Miss Violence é um filme grego lançado em 2013. Ele foi dirigido por Alexandro Avranas e contou com a participação de Themis Panou, Reni Pittaki e Eleni Roussinou. Não é um filme fácil de se assistir ou de se absorver por completo, pois beira a imoralidade. Resumidamente, é um filme ruim, e não estou falando da qualidade dele.

Uma menina decide se matar no dia do seu aniversário de onze anos, com um sorriso no rosto. A polícia investiga o aparente suicídio, mas a família insiste em dizer que foi um acidente, na tentativa de esconder um segredo.

Mesmo abordando apenas a forma, Miss Violence é angustiante. Muitos de seus planos são longos e carecem de informação, levando o espectador a necessariamente completar as lacunas em sua mente. Há um grande trabalho de closes que fazem parecer que o personagem filmado olha diretamente para o espectador, aumentando o nível de imersão no filme. É tudo voltado ao monocromático, desbotado, como uma fotografia velha que o tempo deteriorou. Essa direção de arte mais fria contribui para o clima sombrio de Miss Violence.

Além dos closes, outra constante em Miss Violence é o uso de câmeras fixas. Os personagens se movem pelo cenário, muitas vezes saindo do alcance da lente, e um ou outro está mais ao centro, como se aquela cena se focasse em mostrar como aquele está se sentindo. Nessas situações, em geral, o avô é mostrado como alguém superior, autoritário e de quem devemos ter medo.

Assistir Miss Violence é como ver um quadro sendo pintado. De início, as informações não parecem querer dizer nada. Cena vai, cena vem, e não fica explícito qual é o rumo que a trama vai tomar, para onde ela quer ir. No entanto, surgem pontos aqui e ali que começam a designar o todo e, quando enfim o quadro se completa, o clímax ocorre e o filme termina.

A construção do quanto nós sabemos sobre a família que vemos é muito boa e exponencial, passando pelo ponto da imprevisibilidade. As coisas estranhas vão se somando e surgem indícios da revelação. Após sabermos o que ocorre, o filme trabalha bem a amplitude, que vai chocando cada vez mais. Sentimos mais nojo e mais raiva, até desejarmos acabar com aquilo, no auge da repulsividade das ações do avô.

Ao final, Miss Violence nos brinda com o desfecho que desejávamos. Contudo, analisando o enredo por dentro, a reação é tarde demais, depois que o estrago já foi feito e vidas foram destruídas. É possível comemorar, mas prefiro lamentar que não tenha sido feito antes, pois traumas não são fáceis de se reparar e mentes deformadas tendem a se manter deformadas.

A omissão perpetua a destruição.


Deixe suas dúvidas, críticas ou sugestões nos comentários. Siga o Blog do Kira por e-mail e não perca os próximos posts. Acesse o Podcast do Kira, um canal com versões em áudio de alguns textos daqui e conteúdos inéditos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s