Top 10 | Carrie, a Estranha: 1976 x 1999 x 2002 x 2013

Este post foi a principal motivação para a série de resenhas dos filmes de Carrie, afinal, como eu poderia comparar os quatro sem ter resenhado todos eles? Acaba nem sendo um “top 10”, mas cinco “top 4”. Não estou avaliando fidelidade ao livro nem qualidade enquanto adaptação, apenas os méritos internos.

Incluí o A Maldição de Carrie nas listas por sua estrutura ser parecida com a dos demais filmes e por ele aparentemente tentar ser uma versão genérica de Carrie, a Estranha.

Carrie White

1: 2002 – A Carrie de Angela Bettis tem uma caracterização extremamente pertinente para alguém que sofre bullying e foi criada de maneira reclusa. Danos mentais não são apenas válidos, como também necessários para que a personagem seja crível. Sua segunda camada, a outra Carrie, complementa uma lição de vida acerca do ponto em que a mente das pessoas se quebra. É possível ver algo semelhante no protagonista de Coringa.

2: 1976 – Sissy Spacek atua muito bem e sua Carrie tem um ótimo desenvolvimento na abertura para o mundo, experimentação da felicidade, emancipação da mãe e condensação do sofrimento (tanto no baile quanto na demolição da casa).

3: 1999 – Rachel Lang é uma jovem normal. Quase não há sofrimento nela e o que há não parece insuperável. A dor principal não é bem desenvolvida e os laços amoroso e fraternal são frágeis, tornando Rachel rasa.

4: 2013 – Chloë Moretz tem uma caracterização terrível por fazer uma Carrie linda. É difícil acreditar que alguém com aquele nível de beleza sofreria bullying. No máximo, era uma jovem tímida comum. A forma de controle dos poderes é questionavelmente super-heroica (incluindo a estranha cena do bebê) e é um tanto estranho que ela não tenha sido convidada ao baile por outro rapaz, pelos motivos que já mencionei. Ressalto a forma brusca com que Carrie deixa de ser submissa a mãe e passa a subjugá-la.

Margaret White

1: 1976 – Piper Laurie teve a personagem mais profunda e explicada, com a revelação de seu passado de forma completa. Suas ações possuem justificativa e, embora tenha sido ruim para Carrie, esta Margaret não era uma pessoa ruim. Ao menos, não parecia.

2: 2013 – Julianne Moore tem como maior ponto positivo a autoflagelação e seu maior defeito é parecer má. Assim como a Carrie de Chloë, inclusive. Essa perspectiva mais preto no branco torna a personagem menos pesada dramaticamente e faz todo o resto não importar muito.

3: 2002 – Um grande ok, nada que se destaque positivamente. O mais relevante foi a burrice de não perceber que havia algo errado quando os meteoros caíram na casa dela.

4: 1999 – Só serve para dar um background mal desenvolvido e se parecer mais com o filme original. O acréscimo narrativo não torna a protagonista melhor e o seu desfecho é tão bobo e pouco significativo que talvez fosse melhor retirá-la do filme.

Cena do banheiro (1999 não encaixa)

1: 1976 – Tecnicamente espetacular na trilha sonora (e na sua ausência também), contou com uma atuação muito boa de Sissy Spacek e uma reação natural tanto das alunas quanto da treinadora.

2: 2013 – Como em outras cenas, 2013 faz um bom trabalho, mas não chega ao nível de qualidade do original. Ressalto as palavras da Carrie de Chloë, o que amplia a empatia do espectador por ela e ecoa a percepção do desespero.

3: 2002 – O que pesa negativamente contra 2002 é a falta de lógica na reação das alunas e, consequentemente, a fraca conexão emocional entre o espectador e a Carrie de Angela.

Cena do baile

1: 1976 – A convergência de um roteiro eficiente, bons efeitos especiais e uma atuação muito boa tornam 1976 excelente, pois é visualmente competente e possui um peso dramático essencial para que a cena importe para o espectador e, portanto, seja boa. Destaque para o momento em que Carrie decide trancar todos no salão, o qual conta com uma ótima edição de som, atuação e uma grande ideia.

2: 2013 – O mais marcante no 2013 é o clima de terror sustentado magistralmente pelos efeitos especiais e que contrabalanceia a deficiência empática da Carrie de Chloë (isto devido ao seu aspecto malvado).

3: 2002 – Detesto a caracterização da Carrie como uma pessoa doente, mas a cena é boa. 2002 ocupa esta posição por ser satisfatório, enquanto os dois primeiros são excelentes.

4: 1999 – Roteiro, direção, efeitos especiais, trilha sonora, tudo fraco, beirando a tosquice. Destaque para a tatuagem inexplicável (que inclusive é bem legal).

Melhor filme

1: 1976 – O quadro composto pela atuação, o roteiro e a perfeição técnica de algumas cenas é muito bom. Apesar de 1976 ter seus problemas, ele chega tão perto da excelência que é justo ter seu nome gravado na calçada da fama dos filmes de terror (junto com A Hora do Pesadelo 1).

2: 2013 – Peso pesado na área do horror, perde para o original em drama. É um bom filme, bem melhor do que eu pensava antes de resenhar, mas não alcança a marca da eternização.

3: 2002 – Tentar ser uma adaptação mais fiel ao livro foi seu maior erro. A protagonista é bem feita, mas o resto puxa o filme para baixo, especialmente pela montagem/edição.

4: 1999 – Um retumbante fracasso. Ruim em praticamente tudo, essa versão genérica de Carrie, a Estranha é nada acima de esquecível.

Menção honrosa

A personagem Sue Snell merece uma avaliação pelo 2013 e pelo 1999, mas os outros dois filmes são neutros para mim, por isso usarei este espaço para breves comentários.

O 2013 agrega uma segunda camada à personagem (com a gravidez e com a hipótese da Chris de ela apenas querer ir ao baile e não ser boa com a Carrie) que a torna bem melhor que nos demais filmes. Ao mesmo tempo, a Sue de 1999 é terrível, com uma trajetória fraca que sai do nada e vai para lugar nenhum. Sem ela, A Maldição de Carrie ficaria melhor.

Considerações finais

A franquia Carrie, a Estranha não é lá essas coisas, mas o primeiro e o último filme merecem ser conferidos. Sua relevância se dá mais pela simbologia do que realmente pela qualidade, embora de fato a tenha. O mais interessante em fazer esta difícil comparação foi concluir que a melhor Carrie é justamente a que eu menos gostei.


 

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