Crítica | Mara – O Demônio do Sono (2018): previsível e fraco, mas interessante

Mara – O Demônio do Sono (Mara, no original) é um filme de terror britânico lançado em setembro de 2018 e dirigido por Clive Tonge, com roteiro de Jonathan Frank. Tendo uma hora e meia de duração, o longa foi estrelado por Javier Botet, Rosie Fellner, Craig Conway e Olga Kurylenko.

Uma psicóloga criminal investiga a morte misteriosa de um homem que foi estrangulado em sua cama. Rapidamente ela conhece membros de uma comunidade que lhes contam sobre um demônio secular que mata as pessoas durante o sono.

 Mara – O Demônio do Sono enquanto filme de terror é extremamente fraco. A tensão só existe nos — excelentes — momentos em que tanto Kate quanto outros personagens enxergam Mara. A maior parte do longa é composta por situações que ou não darão em nada ou obviamente chegarão a determinado ponto, especialmente os sonhos. Várias vezes os sonhos de Kate resultam em jumpscares, só que a Mara não aparece nos sonhos, então esse mecanismo é o repugnante método de assustar o espectador sem esforço em sua forma pura.

As aparições de Mara são pouco tensas porque ela segue um roteiro e não foge dele de modo algum, o que faz com que eu saiba quando o personagem vai morrer e quando ele não vai. Essa perspectiva exata de perigo torna o filme inteiro previsível, o que piora a experiência de assisti-lo. Sua aparência é básica, um demônio contorcido que às vezes aparece com mais clareza. Nos momentos de paralisia, a imagem se distorcia de modo a parecer uma pessoa parada se movendo, um incômodo visual.

Ainda na parte técnica, a trilha sonora remetia a um aspecto religioso aparentemente desconexo do roteiro, mas que, com um pouco de boa vontade, podemos compreender como uma referência à chave para vencer Mara: o perdão. O roteiro de Mara – O Demônio do Sono é a melhor coisa do filme muito em função desta saída, que constrói, ao mesmo tempo, uma solução possível e extremamente difícil de executar.

O roteiro, entretanto, desenvolve a Kate e o detetive de forma insatisfatória. Kate, apesar de todas as evidências, passa tempo demais negando a realidade e insistindo que estava tudo bem, mesmo após ver as marcas em seus variados estágios. O detetive age menos como detetive que Kate, além de ter atitudes inexplicáveis, como gritar com o interrogado.

Com tantos pontos negativos, o que sobra de positivo em Mara – O Demônio do Sono é a mitologia apresentada, muito embora ela mesma se utilize de um velho e odioso recurso: aquele que sabe de tudo. É comum em histórias de terror um evento misterioso e desconhecido ser extensamente explicado por uma pessoa que acabou de aparecer e há anos investiga aquilo. Quando não é uma pessoa, é um livro achado “por acaso”, uma saída fácil e conveniente.

Não é possível dizer que a ideia do perdão salva Mara – O Demônio do Sono, mas assistir ao filme é uma experiência interessante para quem gosta de O Chamado e A Hora do Pesadelo, sendo possível estabelecer paralelos na estrutura narrativa e reparar em algumas sacadas semelhantes.


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