Crítica | Paixão Mortal (2013): plot twist não salva o roteiro stalker

Ficha técnica no IMDb

O estudante do ensino secundário Scott é o atleta mais famoso da escola. Ele logo começa a receber a atenção de uma tímida jovem, mas o que parecia ser uma inocente atração se transforma em um pesadelo para Scott.

Paixão Mortal é, essencialmente, um filme sobre stalkers. Três personagens importantes do longa são stalkers e ao menos dois deles não parecem se arrepender do fato. O Jeffrey, inclusive, é recompensado com o amor da Bess, um dos problemas do desenvolvimento de relacionamentos do filme.

Tecnicamente, Paixão Mortal é fraco. A montagem das cenas é, em geral, atabalhoada e as cenas com mais suspense não são bem aproveitadas, resultando em um grande “quase”. Outros momentos de expectativas possuem desfechos telegrafados, extremamente previsíveis.

Há também uma série de problemas de lógica aliados a conveniências práticas, como ambas as stalkers conseguirem se jogar na frente do Mike Norris e causar um acidente com sincronia impecável. Outro exemplo é um ataque executado por uma personagem que não teria como precisar o momento certo de agir, mas que, mesmo assim, acertou em cheio.

Se por um lado a maior parte do filme não empolga, por outro, a cena da perna quebrada é muito impactante. Uma das poucas coisas que Paixão Mortal constrói é o desejo do Mike Norris de jogar futebol e, naquele momento, podemos ver o provável fim da carreira dele. Tal fator é reforçado pelo destaque dado ao ferimento e à recuperação.

O pior aspecto de Paixão Mortal é o roteiro, que é fraco e desenvolve mal a relação entre os personagens. O confronto entre o Mike Norris e a Bess, que devia ser um grande ponto de virada, ocorre sem que ambos tenham criado qualquer tipo de conexão emocional. Além da perda do peso, a cena não faz sentido, pois o Mike Norris não tinha nenhuma evidência de que fora a Bess que fizera determinada ação. Ela, inclusive, ao melhor estilo Light Turner, se entregou, assumindo a culpa. O problema é: culpa pelo quê?

Curiosa também é a relação entre o Mike Norris e a Jules. Primeiro ele diz que a quer apenas como amiga, embora tenha acabado de sair de um momento bem íntimo. Depois, ele, apesar da história de querê-la como amiga, manteve no celular a foto dos seios dela. Por último, sem maiores explicações, ambos ficaram juntos. É raso.

E o que não foi raso? A escolha da Bess por ficar com o Jeffrey também não teve justificativa. Tinha até uma contraindicação, já que Jeffrey continuou seguindo-a, ignorando seu pedido para que a perseguição cessasse.

Se o rosto de um personagem é escondido, dali sairá um plot twist. Não que isto aconteça sempre, mas é frequente. Se mesmo a Bess sendo problemática a identidade do assassino não é revelada, é evidente que outra pessoa está por trás dos crimes. A virada ao final de Paixão Mortal não surpreende nem chega a ser ruim, é apenas esquecível.

Paixão Mortal é um filme fraco, repleto de personagens rasos e uma grande oportunidade temática desperdiçada.


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