Top 10 | Piores decisões de Masashi Kishimoto em Naruto

Em todos os textos sobre Naruto, me refiro a certos aspectos da obra criticando, não Naruto, mas Masashi Kishimoto. Essas críticas diretas ao autor referem-se principalmente a decisões e escolhas narrativas que enfraquecem o mangá. Pensando nisto, nada mais justo que um top 10 com as piores escolhas, na minha visão, que foram tomadas pelo Kishimoto.

Décimo lugar — Não desenvolvimento no time skip

Entre os volumes 27 e 28 de Naruto ocorre um salto temporal de dois anos e meio, que é o período em que o Naruto treinou com o Jiraya. Após esse tempo, todos os personagens permaneceram iguais, alterando apenas as suas roupas. Não surgiram amizades, laços não foram rompidos, ninguém novo apareceu, continuou tudo a mesma coisa. O problema é que eles são adolescentes e é inacreditável que em dois anos adolescentes não mudem. Outra questão é que os times continuaram os mesmos, como se a formação militar permanecesse apesar da graduação. É no mínimo preguiçoso.

Nono lugar — A vida ninja

Entre os volumes 1 e 4 de Naruto, Kishimoto abordou a vida de ninja, as missões, o treino e o descanso. Depois do País das Ondas, isto nunca mais foi explorado. As missões realizadas eram sempre para o avanço do enredo macro, não resultado da necessidade ninja de ganhar dinheiro, o que revela clara subutilização da estrutura do mundo criado por Kishimoto. O anime usa essa rotina de missões na constituição dos fillers, que, embora tenham qualidade duvidosa, são uma tentativa de fazer aquilo que o Kishimoto podia ter feito muito melhor.

Oitavo lugar — A Guerra Ninja

Uma guerra ninja é uma ideia muito boa e que renderia ótimos momentos, mas a organização de sua existência a fez ser um imenso vazio de conteúdo. Primeiro que o conflito nem faz muito sentido, afinal, o mover dos exércitos não tinha nenhuma função, já que o desfecho da guerra centrava-se em derrotar o Tobi ou capturar Naruto e Killer Bee. Motivos para a Guerra Ninja ser uma má decisão:

Exército de Zetsus bonecos de massa genéricos; exército de zumbis imortais com energia infinita que não sangram; festival de fanservice (Asuma, Zabuza e Haku, Dan, pai do Gaara…); ausência de relevância em todos os combates que não envolvem o Naruto; a retirada das “travas de segurança” que haviam nas trapaças do Naruto (chakra vermelho traz ódio, Modo Sennin dura pouco…); involução da seriedade do Naruto; Madara atirando meteoro no inimigo.

Sétimo lugar — Graduação no time skip

Para que apenas o Shikamaru se graduasse (injustamente, preciso acrescentar), foi necessário todo um arco enorme em Naruto Clássico, então, convenientemente para o Kishimoto, todos os outros novatos se graduaram nos dois anos e meio de time skip sem nenhuma explicação. Isso é de uma preguiça inigualável, porque poupou o Kishimoto de apresentar critérios claros para a promoção (coisa que não existiu) e justificar a graduação de personagens não-estrategistas, como o Chouji, Lee ou Kiba.

Sexto lugar — Pegar leve nas mortes

Este é autoexplicativo. Masashi Kishimoto evitou matar personagens relevantes (o único foi o Jiraya), algo imperdoável em um contexto de ninjas, cuja função recorrente é assassinar. Na Guerra Ninja, por exemplo, houve apenas três mortes: Inoichi (irrelevante), Shikaku (pouco relevante) e Neji (irrelevante no Shippuden).

Quinto lugar — Fim do bloqueio do poder

Masashi Kishimoto estragou o Naruto na Guerra Ninja e este ponto merece ser destacado individualmente. Ao longo da obra, o Naruto tem vantagens acompanhadas de desvantagens, que equilibram a balança e não permitem que o personagem seja ultrapoderoso. Tem muito chakra, mas não sabe controlar; tem o chakra vermelho, mas perde o controle; tem o Rasen Shuriken, mas se machuca o utilizando e por aí vai. Quando o Naruto domina o chakra vermelho, perde totalmente as travas. Ele fica invencível, com infinitos clones, infinitos Rasengan e capaz de passar seu superpoder para os companheiros. Zero risco. Ele praticamente vira um Deus (e, mais tarde, de fato se torna um). Sem falar na aparência ridícula dourada de Super Saiyajin mal feito, feia no mangá e horrorosa no anime.

Quarto lugar — A saturação do tema

Até o fim da segunda invasão à Konoha, o tema de Naruto, a relação com a dor, se desenvolvia para níveis mais altos de discussão e relevância. Depois, o conceito se repete sem agregar nada com o Obito, que quer matar para salvar, com o Madara, que quer matar para salvar, e com o Sasuke, que quer matar para salvar. Nenhum deles evolui a discussão proposta no excepcional diálogo entre Pain e Naruto e, além de repetir o debate, repete o plot twist do vilão por trás do vilão. Kaguya > Zetsu > Madara > Obito > Pain. É preguiçoso, é chato e é desnecessário.

Terceiro lugar — Rinne Tensei no Jutsu

O épico arco de invasão à Konoha em Naruto Shippuden encerra com a péssima escolha de Kishimoto por reviver todos os personagens mortos pelo Pain. Havia um peso legal na situação, com a morte de Shizune, Kakashi e uma série de figurantes, mas tudo deixou de existir graças ao Discurso no Jutsu e a magia do Rinnegan. Impressionante como o Kishimoto conseguiu estragar algo tão promissor devido à sua covardia.

Segundo lugar — A parceria antes da batalha final

Naruto Shippuden trabalha, com qualidade, a iminência do conflito derradeiro entre Naruto e Sasuke. O choque, extremamente bem demonstrado pelas aberturas de Naruto Shippuden, se amparava principalmente na distância entre ambos e seus casuais e épicos encontros. Estava escrito nas estrelas que, após o encontro do volume 52, a batalha ocorreria entre um Sasuke cheio de ódio e um Naruto disposto a suportar tudo pelo Sasuke e pela Vila da Folha. Apesar de tal hype, Kishimoto transformou o encontro seguinte em uma aliança, uma luta em equipe contra inimigos em comum.

O primeiro ponto é que Sasuke resolveu seu dilema de ódio sem nenhuma conexão com o Naruto; o segundo ponto é que ambos lutaram lado a lado antes de se enfrentarem; o terceiro ponto é que a batalha final só foi acontecer depois da derrota do vilão, com o maior clima de chá da tarde, nada visceral como se esperava. Se Sasuke sabia que Naruto era o maior obstáculo para a sua ditadura, porque o convidou formalmente para um combate ao invés de passar sua espada na garganta do ninja laranja assim que eles voltaram ao mundo ninja?

Um último pensamento, um tanto quanto desconexo deste tópico. A forma com que o Kishimoto justifica o retorno do Time 7 para a dimensão normal é preguiçosa, absolutamente ridícula, conveniente e baseada em nada (usar o chakra dos Hokages para uma invocação reversa? E isso ainda desfazer o Edo Tensei? Terrível).

Primeiro lugar — A mitologia literal

E a medalha de ouro não podia ser para outra decisão. Há um texto no blog apenas sobre ela, mas, resumidamente, Kishimoto estragou todo o conceito de luta contra o destino inserindo um esquema de transmigração que anula todo o esforço do Naruto para ser quem ele é, permitindo a conclusão de que tudo o que ele e Sasuke são é assim por conta de Indra e Ashura, algo que destrói todo o desenvolvimento que ambos tiveram desde o começo do mangá, ou, em outras palavras, algo que mata Naruto.


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