Crítica | Centopeia Humana 3 (2015): o delírio de grandeza de Tom Six

Ficha técnica no IMDb

Centopeia Humana 3 é um grande fanservice, uma homenagem a Centopeia Humana, tal qual Vingadores: Ultimato o foi. O problema é que, diferente do que provavelmente Tom Six pensa, Centopeia Humana está muito longe de ser um bom filme. Indo além, ver o diretor se inserir na trama, como se fosse uma figura inestimável do cinema, é uma ofensa aos fãs do gênero.

O carcereiro Bill Boss (Dieter Laser) precisa lidar com problemas como rebeliões, rotatividade profissional e a falta de reconhecimento do governador (Eric Roberts) em sua atividade de liderar um grande presídio americano. Vendo que Boss não tem nenhuma perspectiva de resolver esses problemas, Dwight (Laurence R. Harvey), seu braço-direito, surge com uma ideia capaz de revolucionar o sistema penitenciário americano: a criação de uma centopeia humana de 500 pessoas.

Em Centopeia Humana, Tom Six acerta no argumento do médico fazendo o experimento. Em Centopeia Humana 2, o acerto está na atuação de Laurence R. Harvey e na aparência mais explícita. Por fim, Centopeia Humana 3 acerta muito ao explorar o lado clínico da experiência e, novamente, a atuação de Harvey é boa. O problema é todo o resto.

Tom Six homenageou os atores vilões dos outros filmes e, a certo modo, seus personagens. O Mister Boss, ou Senhor Chefão, para os íntimos, é um nazista pervertido diretor de presídio que grita o tempo todo e come clitóris frito. Dieter Laser ficou ainda mais caricato, quase um personagem de esquete humorística. É de longe a coisa mais irritante do filme.

Boss protagoniza muitas cenas que tentam resgatar o jeito explícito de Centopeia Humana 2, as quais incluem momentos eróticos que não agregam nada ao filme. Um deles, inclusive, se passa em um sonho. É como se Centopeia Humana 3 fosse uma paródia ao estilo Todo Mundo em Pânico. Temos quase uma hora de desenvolvimento desse descartável universo de Bill Boss, que contribui para a longa duração do filme, acima do comum no gênero terror.

Tom Six foi além da metalinguagem do segundo filme e, além de os outros dois Centopeia Humana serem filmes naquele mundo, inseriu a si mesmo na trama. E Tom Six escreveu Tom Six dando um autógrafo para a secretária do Bill Boss. Não há problema algum em um diretor fazer uma participação no filme, mas Six é um personagem crucial para o andamento da trama a partir do momento em que traz instruções sobre a composição da centopeia, algo que um médico poderia fazer de modo muito mais lógico.

Como já mencionado, Centopeia Humana 3 acerta ao mostrar em maiores detalhes a composição da centopeia, mas o contexto prisional não parece bem o ambiente adequado para tal, embora seja melhor que o galpão do Martin em Centopeia Humana 2.

O filme foi tão eficiente em não se levar a sério que não consegui me importar com aquele final sanguinolento. A ação do Boss é coerente com o que ele fez ao longo de Centopeia Humana 3, pelo menos.

Centopeia Humana 3 é um filme irritante, longo demais e presunçoso, que pensa ser muito mais do que realmente é.

Tom Six encerrou a trilogia Centopeia Humana com uma infinidade de erros, poucos acertos e muito menos qualidade do que a sua fama sugere ter.

E você, o que achou de Centopeia Humana 3?


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