Top 10 | Decisões Questionáveis de Tsugumi Ohba em Death Note

O mangá de Death Note possui muitos pontos positivos e conquistou uma legião de fãs com a sua qualidade e o carisma de seus personagens principais. Eu já listei os momentos de burrice do Light Yagami e os melhores momentos da obra, mas agora é hora de falar diretamente sobre o autor, Tsugumi Ohba, e suas decisões questionáveis. Não necessariamente decisões ruins, mas que poderiam ter sido superiores. Nesta lista, dei prioridade às escolhas criativas em detrimento de falhas de execução, pois meu objetivo não é fazer uma lista com as maiores lambanças de Tsugumi Ohba em Death Note.

Décimo lugar: Justice or Evil

O lançamento do one shot Justice or Evil (2019) pode ser resumido em duas palavras: por quê? A história é vazia, repisa conceitos (como “o cara super inteligente”), não evolui a mitologia e ainda é fraca em sua narrativa, com um gigantesco Diabolus ex Machina a encerrando. Esse final dá a entender que o Tsugumi Ohba tem medo de fazer o “mal” vencer. Para quem já teve o fraco epílogo Tokubetsu HenJustice or Evil é insistir no erro.

Nono lugar: o excesso de piadas

Tsugumi Ohba nitidamente inseria piadas com frequência em Death Note, embora a obra seja conhecida mais como um “seinen psicológico” (seja lá o que esse psicológico signifique) do que como uma comédia. Podemos encontrar muitas piadas polvilhadas ao longo da trama. A própria Misa é uma piada ambulante — ainda que eu defenda a serventia dela para tornar Death Note mais agradável de ver. Destaco momentos ridículos como o Matsuda falando com o Ide sobre relacionamentos enquanto vigiavam o encontro do Light Yagami com a Takada e a interação Light/Misa/L no arco Yotsuba.

Oitavo lugar: as conveniências

Um mecanismo comum que avança o plot de Death Note é a conveniência. Menciono isto porque se repete ao longo de todo o mangá, desde a transmissão na TV que Light estava assistindo no momento exato até Mikami escolher Takada como porta-voz. É fácil para o autor e diminui a capacidade que a história tem de nos prender, pois é possível ver a mão do autor (como alguém da equipe de produção aparecendo sem querer em um filme).

Sétimo lugar: o arco Yotsuba

O desenrolar do plano do Light é até interessante, mas o arco Yotsuba é muito chato. A ausência do verdadeiro Kira e o desânimo do L praticamente matam aquilo que tornava a trama incrível. Tsugumi Ohba quis desenvolver um mistério, mas desistiu na metade e deixou o enredo com aquela cara de mal planejado. Esta é, sem dúvidas, a parte mais sem graça de todo o mangá. Ainda que tirar o protagonista de cena seja louvável e corajoso, Ohba não teve a sagacidade necessária para compensar tal perda.

Sexto lugar: o final que não aconteceu

Este deriva diretamente do anterior. Ao fim do arco Yotsuba, L morre após um plano suicida de Light Yagami. A ideia do Light era colocar a si e a Misa sob suspeita propositalmente, para que a ameaça à vida de Misa fizesse Rem matar L e Watari. Não é uma má ideia, no entanto, outra possibilidade pensada por Ohba foi fazer o Light usar a Wedy para conseguir mostrar o rosto do L para a Misa. Esta segunda é, definitivamente, muito mais à cara de Death Note. 

Quinto lugar: Matsuda

Já falei sobre as piadas em Death Note, e o Matsuda sempre foi um alívio cômico da obra. Ele ocupa este posto por outro motivo. Em How To Read, Tsugumi Ohba revela que fez Matsuda ter dúvidas quanto ao Kira porque é lógico que, em um grupo de cinco pessoas, uma não condene o Kira. O problema é que Matsuda não é uma pessoa hipotética em um cenário amplo, ele é um policial em um esquadrão de elite cujo único objetivo é capturar Kira. Neste grupo, não há espaço para policiais patéticos sem convicção que são o que são pelo simples desejo de ser um “herói”.

Quarto lugar: Mikami, escolha e dedução

Mikami volta para a nossa lista de decisões questionáveis do Tsugumi Ohba com um combo: a bizarra forma com que Light Yagami o escolheu (assistindo TV), a bizarra forma com que Near deduziu que ele era o X-Kira (assistindo TV) e a conveniência do Mikami escolher a Takada como porta-voz. Por que o entorno do Mikami precisa ser tão preguiçosamente elaborado? Até a ideia de o Kira querer ter um porta-voz me parece um absurdo, afinal, o porta-voz é um imenso alvo para perseguidores de Kira.

Terceiro lugar: o final YuGiOh!

O plano final de Light Yagami contra Nate River, vulgo Near, foi uma sucessão de planos e contraplanos quase mágicos. Além de deixar o leitor confuso, é uma covardia narrativa, pois incute uma surpresa galgada na obstrução do real significado das cenas. Ao melhor estilo Scooby Doo, Ohba explica os planos com flashbacks que mostram aqueles quadros aleatórios de antes agora em contextos que lhes dão sentido. É um dos jeitos mais baixos de realizar um plot twist. Fora que é muito forçado o jeito que o Death Note inteiro é colocado como necessário para que Light elimine Near.

Segundo lugar: Light Yagami burro

Na segunda metade de Death Note, Light Yagami se torna burro o suficiente para entregar o Death Note ao Mello sem nenhum plano, acreditar que Soichiro Yagami iria matar Mello, escolher o Mikami apenas vendo TV e o mais estranho dos erros: esquecer que o Death Note mata com o nome escrito em um pedaço da folha. Talvez Ohba tenha concebido um Light displicente devido ao período em que ele não teve desafios, mas, ainda assim, é uma péssima ideia, pois desqualifica a característica que tornava o protagonista incrível. Não apenas um poço de arrogância, mas um poço de inteligência.

Primeiro lugar: Near e Mello

E no primeiríssimo lugar, ganhando a medalha de ouro, estão os sucessores de L, Near e Mello. Já falei um pouco sobre eles nas minhas resenhas do mangá de Death Note, mas, resumidamente, eles são cópias do L sem as justificativas que L tinha. Enquanto L comia doces para manter o cérebro funcionando, Mello come chocolates porque sim e Near brinca o tempo todo porque sim. Suas excentricidades não agregam nada à narrativa, além de eles serem cascas com uma camada estereotípica de introversão (Near) e extroversão (Mello). O background deles é nulo (principalmente o Mello) e, junto com sua chegada, é visível que a trama perde aquilo que a caracteriza como incrível. Todo mundo diz que Death Note é bom por causa das batalhas intelectuais, mas, entre Light, Near e Mello praticamente não existe batalha intelectual.


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