Crítica | Páginas da Morte (2019): um diário amaldiçoado

Um filme mais A Hora do Pesadelo que o remake de 2010

Ficha técnica no IMDb

Páginas da Morte definitivamente não é um filme muito bom. Contudo, seu conceito é bem abordado e faltou pouco para que fosse salva a qualidade do filme.

No meio da noite, uma jovem desperta e subitamente, sem esboçar qualquer sentimento, mata cada membro de sua família, inclusive o cachorro dela. O psiquiatra encarregado do caso descobre que a garota mantinha um diário e resolve investigar. Depois de encontrar o objeto e a ler seu conteúdo, o médico passa a entender a razão de sua primeira página conter um aviso: quem ler este diário será amaldiçoado.

A fotografia de Páginas da Morte lembra, em alguns momentos, o estilo das telenovelas. O roteiro acompanha esta perspectiva várias vezes com diálogos ridículos nas cenas de casal. Tudo muito bobo e artificial, como uma tentativa desesperada de fazer quem assiste se importar com os personagens. Certas cenas do protagonista, como a do enterro, me deixaram na dúvida sobre o quanto a babaquice dele era de propósito ou apenas fruto de um roteiro mal pensado.

A premissa da história é bem interessante e os motivos por trás dos eventos são explicados de forma simples, sem detalhar demais e também sem surpreender. Uma mitologia mais complexa por vezes atrapalha o andamento do enredo, então Páginas da Morte acertou nisto. Por outro lado, embora esta não seja a minha visão, há espectadores que podem achar o filme simples demais.

Lá no início eu mencionei A Hora do Pesadelo e o fiz porque Páginas da Morte mimetiza perfeitamente a dinâmica do filme de Wes Craven em confundir sonho e realidade. Numa trama em que o terror só existe no mundo dos sonhos, esse tipo de dúvida e apreensão é a chave do sucesso. Páginas da Morte usa os sonhos como um catalizador do medo e uma forma de avançar o enredo.

Ainda que não fique claro o motivo de a Molly negar que tenha matado a família e não saber que está morta, suas interações com Philip são excelentes e fundamentam bem o conceito do final, com um Philip louco, irado e confuso quanto ao que é realidade e o que é sonho. O problema é que um bom conceito não adianta se a execução do todo é fraca.

Duas coisas do final são extremamente estranhas. Primeiro, por que o colega de trabalho do Philip chegou tão rápido a ele? Não havia motivo para isso, muito menos com aquela velocidade, como se magicamente todos soubessem exatamente o que estava acontecendo com ele. Segundo, ok, eu aceito que a esposa dele tenha um amante, mas qual a lógica em ela chamá-lo para casa àquela hora da noite? Não havia nenhuma evidência de que Philip demoraria a chegar em casa e parece plausível que qualquer Ricardão evitaria sair de madrugada na chuva para a ir a casa da família do Philip.

A coragem da morte do Philip me agrada, mas o final final, com uma nova vítima do diário, parece forçado devido ao desfecho trágico dos dois últimos que tentaram completar o relatório sobre ele. Páginas da Morte podia ter sido melhor, mas não foi horrível.


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