Crítica | Aquaslash (2019): o terror no toboágua

Ficha técnica no IMDb

Para comemorar sua formatura, os adolescentes da Valley Hills High School organizaram uma festa com tema dos anos 80 em um antigo parque aquático. As coisas ficam horríveis quando acontece que um maníaco misterioso inseriu lâminas de barbear gigantes nas lâminas de água. Assim, o parque aquático Wet Valley se torna o pano de fundo para um banho de sangue (literalmente), e todos são suspeitos.

Aquaslash possui um gancho muito interessante, o uso de lâminas em um brinquedo aquático para ferir aqueles que o utilizarem. O problema é que o longa é vítima desta mesma ideia, pois, a partir do momento em que as mortes começassem, durariam pouco e não renderiam muito tempo de tela. Filmes com animais aquáticos possuem a vantagem de poder movê-los de um lugar a outro e variar os ataques, diferente de Aquaslash.

O resultado dessa limitação temporal é um filme de 1h10 que possui 50 minutos em que nada acontece. As subtramas não empolgam e não é criada uma atmosfera de conexão com o “ataque no toboágua”, o que faz parecer que essa quase uma hora de filme não agrega nada ao clímax.

Mas se Aquaslash pensasse em fazer um bom roteiro, não partiria da premissa que escolheu. Então qual é a aposta do filme? Dentre os 50 minutos de nada, temos uma fotografia bonita e artística bem semelhante ao que seria um videoclipe musical. Várias cenas parecem imitar realmente o jeito de ser de clipes, sem nenhum pudor.

Como de praxe em filmes do gênero terror adolescente, há muitos momentos de consumo de drogas e nudez parcial. Nada que acrescente conteúdo, é só enrolação para que o filme não tenha 20 minutos de duração.

As mortes são bem gráficas e até entregam mais do que o que se espera. Como o deslizar pelo toboágua não pode ser parado, cria uma sensação de inevitabilidade realmente assustadora, mesmo que eu não me importe com os personagens que estão prestes a serem esquartejados. Um detalhe negativo é a quantidade de sangue que me pareceu exagerada.

Quando os jovens jogaram o rapaz que os alertava sobre a sabotagem no toboágua, eu achei engraçado. Na terceira vez em que isso aconteceu, fiquei apenas irritado pela falta de criatividade. Apesar da estupidez daquele que ficou tentando subir o brinquedo ao contrário, essa sequência é boa. O roteiro criou pequenas justificativas para a descrença que funcionam, como o problema no comunicador e o “salva-vidas” com impossibilidades físicas.

O final de Aquaslash ainda resguarda um plot twist sem peso dramático que é acompanhado por mais um momento digno de videoclipe. O uso do brinquedo sabotado condenou Aquaslash a ser um filme chato, mesmo no cenário trash.


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