Crítica | Histórias Assustadoras Para Contar No Escuro (2019): filme ok, título horrível

Sério, que título horrível. Eu o assisti esperando por uma antologia, tal qual XX e Contos do Dia das Bruxas, mas o filme consiste em uma trama muito mais estilo O Chamado de luta contra uma maldição. O título de Histórias Assustadoras Para Contar No Escuro devia ser “O Livro de Sarah”.

Ficha técnica no IMDb

A cidade de Mill Valley é assombrada há décadas pelos mistérios envolvendo o casarão da família Bellows. Em 1968, a jovem Sarah (Kathleen Pollard), uma garota problemática que mantinha um relacionamento ruim com os pais, foi ao porão para escrever um livro repleto de histórias macabras. Décadas mais tarde, um grupo de adolescentes descobre o livro e passa a investigar o passado de Sarah. No entanto, as histórias do livro começam a se tornar reais.

Histórias Assustadoras possui, até certo ponto, um bom roteiro. Os diálogos são críveis e a forma com que os jovens ficam presos na casa abandonada é bem cabível. Geralmente é por burrice que os personagens investigam as coisas, mas Stella pode muito bem ter ido além do que iria normalmente por querer impressionar o Ramon. Além disso, eu aceito o fato de ela ser escritora como um reforço dessa justificativa.

Digo até certo ponto porque a ligação da Stella para seu pai e a revelação de que Ramon estava em falta com os seus deveres militares não é nada relevante emocionalmente para o espectador. Aparentemente, o roteiro presume que nós nos importamos com este aspecto dos personagens, mas não podia estar mais errado. É claro que a ausência da mãe faz parte do background da Stella, mas não tem a mínima conexão com o restante da trama para ser tratado 1h depois como se fosse algo sempre presente.

Uma coisa que me incomodou de cara foi a caracterização da Stella, a estereotípica nerd rejeitada que, muito convenientemente para o enredo, é escritora. Não vejo precisão alguma na rima entre a heroína e a vilã serem contadoras de história, pois a existência de um livro posterior contando sobre Sara agrega pouco ou até nada.

Sarah é um vilão sem explicação para os poderes e com um background bem simples, porém funcional. Não é um personagem ruim, mas também não é nada memorável.

Seus poderes foram justamente o que mais me intrigou ao longo do filme, pois não ficava claro se as histórias aconteciam por serem lidas, se era apenas coincidência a leitura em simultâneo com o acontecimento ou se a Sarah manipulava a realidade para que fossem ao mesmo tempo.

No fim, parece que Sarah manipulava a realidade, pois foi capaz de teleportar Stella para o passado (o que é provado pelos óculos) e isto explicaria certos comportamentos estranhos dos personagens, como o garoto que, em vez de sair por onde havia entrado no hospital, resolveu correr aleatoriamente sem rumo. O ato de comer a sopa surgida do nada (e, do ponto de vista da Stella, não ser clara sobre o que estava acontecendo) é outra ação pouco crível que pode ser justificada por uma manipulação apurada da realidade.

É interessante que Sarah seja vencida no papo porque simplesmente matar todos que entram na casa não tem nexo causal. Stella provou isso para a vilã e salvou a pele dos sobreviventes, mas o desfecho de Histórias Assustadoras é falsamente feliz. Embora o roteiro nos mostre uma Stella focada em descobrir como “trazer de volta” seus amigos, existem fortes evidências de que isso não é possível. Primeiro, a desistência de Sarah já devia ser o suficiente para cancelar sua magia, se algo prendesse os amigos de Stella em algum lugar. Segundo, foi dito pela anciã que o poder de Sarah vinha do ódio, não de magia negra, então não é como se a Stella pudesse encontrar um livro de magia e desfazer tudo.

Histórias Assustadoras Para Contar No Escuro é um filme ok. Não é memorável, mas não é ruim. Serve como distração para fãs do gênero terror.


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