Crítica | Premonição 2 (2003): que roteiro horrível

Mas ele tenta, e o respeito por isso

Ficha técnica no IMDb

Kimberly Corman (A.J. Cook) é uma jovem que está viajando para passar um final de semana com seus amigos, até que vê um caminhão com toras de madeira tombar, causando um grande acidente que resulta em diversas mortes, incluindo a dela. Porém, nada disso aconteceu. Kimberly ainda está na estrada, totalmente ilesa, mas acredita que a visão que teve foi um aviso. Ela para seu carro na estrada, provoca um grande congestionamento e o acidente ocorre. Com uma forte sensação de que tudo não acabou e que a morte está atrás dela, Kimberly decide procurar por Clear Rivers (Ali Larter), única sobrevivente do voo 180.

Premonição 2 erra onde seu antecessor acerta. O início do filme introduz a mitologia da franquia através de uma transmissão de TV e rapidamente se inicia a cena da estrada. É depressa demais, pouco desenvolvimento para os personagens e até para o suspense da situação. Existem os maus presságios, mas Premonição 2 não soube construir o clima. Ressalto aqui a inexplicável exposição de seios, que é comum do gênero, mas que foi tão do nada e sem justificativa que conta como defeito.

O engavetamento é espetaculoso e até bonito, mas há explosões demais e a apreensão excelente do voo 180 é trocada por uma admiração pela qualidade dos efeitos visuais do filme. O final da sequência, com o caminhão surgindo das chamas, é extremamente assustador. Creio que seja o melhor momento da franquia inteira (o final de Premonição 5 é um páreo duro).

O acidente de Premonição 2 é uma escolha de roteiro extremamente problemática. Kimberly não tem como saber quais pessoas morreriam no acidente ou a ordem em que morreriam, o que dificulta o andamento lógico da trama. Claro que o filme resolve essa questão juntando um punhado de pessoas estranhas que não ajudam em nada a aumentar o drama do filme, mas que servem para cumprir o papel de “grupo sobrevivente”, mesmo que provavelmente existam outros sobreviventes que não foram contatados.

Embora eu veja com maus olhos o engavetamento, ele nos permite algumas deduções acerca da mitologia de Premonição. Se os sobreviventes eram pessoas que teriam morrido caso a visão do Alex não ocorresse, não é improvável que todas as vítimas do engavetamento se encaixem na mesma condição. Sendo assim, talvez a morte tenha dois métodos: criar um grande acidente ou pequenos acidentes.

Os pequenos são menos arriscados, mas criam bifurcações nos planos originais que podem levar a novas fugas da morte. O grande acidente, por outro lado, pode eliminar de uma vez todos da lista, tendo como risco provocar uma premonição. Isto também justifica a morte do Sam no voo 180, o mesmo cujo acidente foi previsto pelo Alex.

Com tudo isso em mente, suponho que um evento inicial tenha feito a morte não cumprir sua função corretamente, o que gerou uma reação em cadeia de ações ousadas da entidade dando novas oportunidades para que humanos escapassem de seus planos, virando uma bola de neve de 5 filmes. Se eu estiver certo, o que falta é um Premonição: o Início para explicar o que foi esse primeiro erro da morte.

Um grande problema de Premonição 2 é que tudo parece muito fácil, muito rápido. Os sobreviventes são reunidos em pouco tempo; a Kimberly e a Clear entenderam o esquema de mortes ao contrário muito rápido, como se fosse extremamente óbvio; o Willian Bludworth novamente explica o enredo com seu jeito desnecessariamente caricato (sério, como alguém pode gostar desse personagem? Ele é ridículo), trazendo um ponto que até faz sentido (a nova vida engana a morte), mas que não é minimamente explorado teoricamente antes de ser dado como certo.

É ótima a criação de um elemento capaz de “vencer” a morte, pois, do contrário, Premonição 2 consistiria em uma protagonista correndo de um lado para o outro sem propósito claro, além de evitar morrer. O problema é que a lógica de uma grávida parir é descartada em um plot twist estranho (se a Kimberly não viu a grávida morrer, como poderia ter certeza de que ela teria morrido? E mais, de onde vieram os flashs que explicaram isso para ela? A magia conveniente do roteiro?) e substituída pela “ressuscitação” hospitalar.

Apesar dos pesares, a ideia do afogamento não é ruim. A questão é: se a Kimberly se viu mergulhando no lago com a van, porque ela pensou que esse fosse o método para se salvar? A lógica seria ela interpretar isso como o jeito que ela vai morrer, afinal, é isso o que o presságio representa. Mais uma vez, Premonição 2 não explora a ideia na teoria antes de assumir que ela está absolutamente correta.

A morte da Clear é um ponto muito baixo de Premonição 2. Depois de tanta luta, aquela morte foi desonrosa para a personagem e soou como uma tentativa vazia de causar impacto. Além disso, em vez de reusar a Clear, o filme deveria trazer de volta Alex. No geral, o que mais admiro em Premonição 2 é essa tentativa de ser um filme conectado ao original.

Premonição 2 é um filme fraco, com boas ideias e que, principalmente, tenta agregar algum valor narrativo à franquia, em vez de fazer uma obra genérica apenas para lucrar.


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