Crítica | Premonição 3 (2006): propositalmente genérico

Ficha técnica no IMDb

Seis anos depois que um grupo de estudantes enganam pela primeira vez a morte, uma adolescente tem o pressentimento de que ela e seus amigos vão ter um acidente em uma montanha-russa. Quando a visão prova ser verdadeira, a estudante e os sobreviventes precisarão lidar com as repercussões de enganar a morte.

Premonição e Premonição 2 se levavam a sério. Embora fosse preciso alguma boa vontade para aceitar certas mortes, ambos os filmes se esforçavam para contar uma história relevante e, no caso da sequência, agregadora à franquia. Premonição 3 é diferente. Desde a concepção, sua intenção era ser um exemplar autossustentável de Premonição, e assim o é, sendo este o seu maior defeito.

Premonição 3 faz o básico na maioria dos aspectos. Seus personagens funcionam, sem as reações inexplicáveis de condenação que existiam no primeiro filme. O destaque negativo fica para a irmã da protagonista, que devia ser interpretada por uma atriz com mais cara de mais nova. Raramente me incomodam os adolescentes de 30 anos, mas ela não pude deixar passar.

Como nos outros dois filmes, há uma tentativa de alterar o fluxo narrativo com uma surpresa, outra vez sem funcionar como deveria. A presença da irmã da protagonista na montanha-russa teria muito mais peso se ela não tivesse sido mostrada no parque (o que, inclusive, justificaria a tentativa dela de esconder o rosto).

O roteiro de Premonição 3 talvez possa ser mais criticado pela permanência da protagonista no metrô após ver a irmã, sendo que ela devia ter a reação oposta e se apressar ainda mais para sair dali, tendo em vista o mau presságio. O que pode aliviar essa questão é que muito tempo se passou e podemos considerar que é comum para a protagonista ver aquele tipo de sinal. No fim, Premonição 3 é bem redondo.

A ambientação inicial de Premonição 3 acerta ao imprimir o mesmo suspense “tem alguma coisa errada” que havia no primeiro filme. Sua seriedade, no entanto, acaba deslizando com o diabão falador da montanha-russa (com a voz sabe de quem? Tony Todd. Mais uma vez estragando o filme) que, mesmo fazendo sentido dentro da narrativa, é anticlimático.

A primeira premonição é boa, mas comete dois erros ao usar a câmera digital como estopim: primeiro que é um tanto quanto bobo uma simples câmera causar o acidente e segundo que, como o rapaz com a câmera saiu da montanha-russa, não havia como os carrinhos darem problema, principalmente naquela rapidez absurda, já comum na franquia Premonição.

As cenas de morte são um problema derivado da escolha por ser um filme genérico. Em vez de acrescentar algo à mitologia de Premonição, Premonição 3 usa e abusa de intermináveis efeitos-dominó para mostrar como suas mortes são bonitas, planejadas e fomentadoras de suspense. O bom enredo fora trocado por ceninhas plásticas. Há quem goste, eu detesto.

Uma adição deste filme é o uso das fotografias como presságios. É legal, mas não chega a tirar do enredo aquele aspecto de “vai pra lá, vem pra cá” sem um propósito claro, o que é uma constante na franquia. É preciso destacar que há na franquia algo que eu gosto de chamar de “síndrome de O Chamado“. No referido filme, a vilã acessa o mundo real através de uma fita. Há três filmes de O Chamado e nenhum deles explica o motivo de ser uma fita e como aquilo exatamente funciona. Em Premonição temos as fotografias sem explicação, as visões da Kimberly e os sonhos do Alex.

Algumas cenas específicas merecem comentários. A quase morte da irmã da protagonista é bem angustiante. Só não é mais que as duas do bronzeamento artificial. Queimaduras, especialmente naquele contexto de elevação da temperatura (o que é diferente de simplesmente pegar fogo), são uma escolha acertada até pela facilidade de se justificar, e o problema está na justificativa. É tudo muito forçado e ridículo, desde o líquido que cai no regulador de temperatura e o faz aumentar até a tábua que impede ambas as jovens de sair da câmara.

Premonição 3 não é bem um filme ruim, mas é uma versão genérica de Premonição, assumindo ser um caça-níquel tal qual seus compadres infinitos Jogos Mortais. É bonito, serve como passatempo e é irrelevante para o universo compartilhado Premonição.


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