Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 2: podia ser bom, mas não é

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Se o vol. 1 de Turma da Mônica Jovem apressa muito as coisas, o vol. 2 não passa muito longe disso. Aqui há mais tempo para trabalhar os personagens, mas fica a sensação de que a aventura não foi tão empolgante quanto deveria. Dito isto, a arte da capa faz sentido, pois o vol. 2 é apenas os personagens de RPG indo para lá e para cá.

Existem sutis toques da Mônica no Cebola, e vice-versa, que indicam o laço amoroso existente entre eles. Há também um momento nada sutil, mas funciona. Não é aquele melodrama chato, mas ele está ali e é até bonitinho. Ao que parece, Cebola e Mônica só não são namorados formalmente, porque não escondem os sentimentos que têm um pelo outro.

A interação mitológica com o conselheiro astral serve para dar mais peso para a situação, mas a ambientação é defeituosa. É tudo muito imediato, como se magicamente a turma soubesse onde está, quais são os nomes das coisas e como fazem para chegar onde precisam. Eles sabem, mas eu não os vi descobrindo, embora seja provável que foi tudo cortesia do globo celeste.

O traço dos personagens é simples, mas a caracterização dos elementos de RPG é muito boa e detalhada. O Cebola vestido de guerreiro tem o nível de qualidade que eu espero de um mangá de fantasia. É nítido que Turma da Mônica Jovem não se esforça muito para desenvolver boas cenas de ação, mas os pequenos momentos são funcionais.

O humor melhorou um pouco, mas segue fraco. A piada com os anões foi quase vergonhosa de tão ruim. A quadrinização também melhorou, de forma mais considerável. Apesar de não ser confuso como no vol. 1, há muitos quadros com fundo branco, como se os personagens flutuassem na página da revista. Pode ser questão de costume, mas senti que estava muito frequente.

O maior problema do vol. 2 de Turma da Mônica Jovem é que tudo parece fácil demais. Os obstáculos surgem e são superados rápido demais para que eu me importe e os veja como desafios de fato. Existem dois agravantes para essa sensação. O primeiro é a participação ridícula do Poeira Negra, o qual aparece só para puxar uma alavanca e vai embora. O segundo é a conveniência de as chaves se quebrarem num formato em que é possível combiná-las.

A união das cinco chaves em uma é uma dedução lógica. Em vez de usar um acidente, o roteirista poderia ter feito o Cascão querer juntar as cinco e a Magali o fazer com um feitiço, o que seguiria a linha narrativa do volume e não pareceria tão fácil e conveniente.

O vol. 2 de Turma da Mônica Jovem é uma grande oportunidade desperdiçada. Funciona como um rascunho de uma boa aventura.


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