Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 4: quase tudo errado

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Na conclusão da primeira saga da Turma da Mônica Jovem somos contemplados com um volume que erra o suficiente para tornar As Quatro Dimensões Mágicas decepcionante. Neste, a constante evolução desde o vol. 1 é deixada de lado e a lambança da condensação de conteúdo (que eu mencionei na crítica do vol. 1) voltou ainda pior. Para começar, a capa do clímax da saga é uma simples referência a uma cena nada surpreendente, a qual ocorre depois de a aventura terminar. Este uso destoa das demais capas, servindo como aviso do que está por vir.

O vol. 4 possui três pedaços: um em Tchalu, outro em Edom e o último na terra. Toda aquela “facilidade” que existia no vol. 2 esteve presente nestas partes. Depois da decisão de fazer Tchalu, Edom e o encerramento no mesmo volume, a falta de profundidade em cada dimensão é apenas uma consequência. Todavia, até internamente o vol. 4 mostra uma degringolada feia.

Tchalu já tinha sido introduzida no vol. 3, mas os desafios são apresentados neste. A ambientação do torneio é muito interessante e poderia render combates reais, com estratégia e o uso dos pontos fortes e fracos de cada estilo herdado pela turma da Mônica. Infelizmente, o roteirista optou por resolver o problema com a piada de o Cascão cheirar mal. Além de ser uma saída extremamente fácil, chega a ser incoerente com a personalidade estabelecida no Cascão: ele não gosta, mas toma banho. Funcionaria na Turma da Mônica clássica, mas não na Turma da Mônica Jovem. Além da piada ser fraca, não há emoção na aventura.

O que já era ruim fica pior em Edom. Não há aventura, é tudo rápido e já começa a batalha final. Se por um lado o plot presente em cada dimensão é ridículo em Edom, finalmente a Yuka percebe que vai ter que agir para poder vencer e aí entra a melhor coisa de As Quatro Dimensões Mágicas.

Lembra na crítica do vol. 1 quando eu disse que o Poeira Negra parecia ter um plano? Ele realmente tinha um plano. É evidente: a Yuka iria subjugar o Poeira Negra, mantê-lo aos seus pés. Neste contexto, a traição não é apenas uma boa ideia como também é crucial para que eu me sinta lendo a história de um vilão. A nova aparência do Poeira Negra é espetacular, mas, infelizmente, o roteiro o usou apenas para criar guerreiros bucha de canhão, em vez de mostrar a extensão de sua força.

Nessa terceira parte o roteiro é tão preguiçoso que o segredo da montagem da arma final que derrota o Poeira Negra é “uma sequência ímpar, par, ímpar, par”, cuja resposta é transformar cada dimensão em um número (a ordem de aparição na aventura) e aí tentar na sorte uma das combinações correspondentes. As cinco chaves e a poesia foram muito mais interessantes.

A luta contra o Poeira Negra também envolve o resto da turma, só que, levando em conta a absorção dos poderes da Yuka, não há nada que eles poderiam fazer. Dudu? Dorinha? O roteirista só queria uma desculpa para fazer uma página bonita com os personagens secundários. E assim, o vol. 4 matou seu trunfo.

Embora muito poderoso, Poeira Negra foi extremamente mal aproveitado. Estando posicionado dentro de um volume com aventuras em duas dimensões, o clímax perde muito o peso naturalmente. O roteiro ruim prejudica ainda mais e o resultado final é um desfecho com coisa demais e qualidade de menos.

As Quatro Dimensões Mágicas não é uma saga muito boa, mas merecia uma finalização muito mais competente. O vol. 4 de Turma da Mônica Jovem é uma demonstração de como errar em tudo, até no que acerta.


Notas sobre os personagens:

Para que mudar o nome do Céuboy? Entendo que seja um nome ruim, mas foi muito infantil a cena do Poeira Negra chamando-o de Céuboy e ele dando piti como se fosse chamado de Ângelo desde sempre. Indo mais longe, o nome dele sempre foi Anjinho, sem nome próprio de fato, então é muito diferente do caso do Cebolinha, do Louco ou do próprio Poeira Negra.

Apesar de eu gostar muito do Poeira Negra, levando em conta que ele pede para ser chamado de Capitão Feio, é provável que ele deixe de ser esse vilão que tanto me empolga.

Curioso como Cascão e Magali ficam várias vezes de mãos dadas. Parece um quase namoro. Coitado do Quinzinho (que está magro neste volume).


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