Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 5: acertando em cheio

Depois da mística saga anterior, o vol. 5 de Turma da Mônica Jovem retrata o cotidiano. Este volume não esconde que sua intenção é abordar mais o lado amoroso das personagens femininas, e isto compõe o primeiro volume “de transição” da franquia. Com o clima automaticamente mais leve, o humor aqui acertou em cheio.

O roteiro do vol. 5 tem traços quase panfletários, como aqueles quadrinhos educativos. Apesar disto, ele não é ruim. A Mônica é uma adolescente apaixonada e se comporta como tal, tanto nos momentos vergonhosamente transparentes quanto nos momentos de ciúme. Ela é exagerada, injusta e alguns diriam até que tóxica.

O que me incomoda nessa Mônica atrapalhada e tímida, que também é o motivo de ela poder ser incoerente, é que durante As Quatro Dimensões Mágicas ela agia como uma pessoa muito mais segura de si. Em dado momento ela praticamente pediu que o Cebola a beijasse e no fim do vol. 4 ela o beijou, sem que houvesse um “clima”. Mas de uma hora para a outra ela perde toda aquela confiança.

A participação da Dona Luísa é determinante neste volume, pois ela age como mãe, como uma mentora. É claro que existe um reforço de estereótipo ali, mas o objetivo dela é mostrar para a Mônica que é possível viver em um mundo com garotos sem esquecer-se de viver a própria vida em suas demais nuances. Não é apenas um “esqueça os garotos”, pois ela mesma chamou o Cebola no final (ou então a mãe da Mônica possui dons paranormais).

E com relação ao estereótipo, que pode, sim, ser meio vergonhoso, é importante ressaltar que a Dona Luísa se chamou de “nerd de quadrinhos” e fez uma referência ao “Lanterna Azul”. Além disso, a Denise fez uma piada envolvendo o Ronaldinho, então vejo uma contrabalanceada. Magali achando que suas compras serão pagas pela Dona Luísa é uma piada a se destacar positivamente.

Outro detalhe da Magali que achei interessante foi a atração que ela sente pelo professor. Sozinho isso não quer dizer nada, afinal, olhar não tira pedaço, mas é o segundo passo para questionar o relacionamento dela com o Quinzinho. O primeiro foi o óbvio clima existente entre ela e o Cascão durante os volumes anteriores.

A segunda história é sobre uma paranoia ciumenta e é o ponto baixo do volume em termos de mensagem, embora funcione bem. É interessante como estas duas histórias foram causadas pela insistência da Mônica em presumir o que é e já tratar o Cebola como culpado antes mesmo de ter provas. Essa repetição tem dois possíveis significados: ou será uma característica padrão da Mônica ou ela vai aprender com os erros e amadurecer.

Na terceira história eu me senti lendo a Turma da Mônica clássica. É simples, é funcional e bem divertido, ainda contendo uma mensagem sobre o valor do trabalho. É panfleto educativo? Sim, mas tem tudo a ver com o cotidiano dos adolescentes e seus possíveis dramas.

O vol. 5 de Turma da Mônica Jovem não é espetacular, mas é o maior acerto da franquia até então, com um humor de alta qualidade.


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