Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 6: um início impecável

Depois do vol. 5, que conta com um bom enredo de transição, Turma da Mônica Jovem parte para a sua segunda saga, esta no espaço. O vol. 6 parece ter sido feito com muito esmero, pois seu resultado foi superior aos cinco volumes anteriores juntos.

Estruturalmente, o vol. 6 é impecável. Tirando uma ameaça, ele é inteiro desenvolvimento de personagem e de mundo, sendo que a ameaça não é personificada e age algumas vezes. Tais ações são um preparativo que impede o volume de ser monótono e cria a ponte para que o verdadeiro enredo do arco possa se apresentar. Ver o volume se encerrar com a aparição da princesa Usagi Mimi é extremamente satisfatório.

Parece que o roteirista olhou para tudo o que tinha sido feito e decidiu seguir o abc da narrativa. O vol. 6 é tão correto que chega a ser difícil encontrar defeitos, pois ele faz bem o gancho e cumpre muito bem seu dever como volume introdutório de arco. Todavia, um detalhe me incomodou: embora o Cebola tenha interagido com o Astronauta no vol. 3, ele não o reconhece plenamente neste volume. Fica também a dúvida quanto a esse Astronauta ser o mesmo da outra dimensão ou não.

O humor deste volume é contido, o que deixa o clima bem mais sério que nos demais volumes. As piadas que surgem são boas e ressalto as que envolvem a atração que o Cebola sente pela Mônica. Além de ser engraçado, é coerente com a idade. É curiosamente “maduro” como o roteiro faz piada com enchimento de sutiã. Tenho a impressão de que, com o tempo, esse aspecto da atração física foi esquecido.

A ambientação em uma expedição escolar justifica perfeitamente os diálogos expositivos que constroem o mundo que ainda não conhecemos por completo. A humanidade colonizou outros planetas e, utilizando recursos extraterrestres, foi construída uma nave gigantesca. É tão grande que é uma cidade com transporte coletivo. Se a tecnologia é avançada o suficiente para isto, não há nenhum impedimento para que futuramente se utilize robôs (como de fato utilizam).

Quando uma história é bem ritmada e desenvolvida é possível fazer recortes claros sobre os personagens e entendê-los. Aqui, o que mais se destacou foi a Mônica. E não foi um destaque positivo. Embora saiba que o Cebola gosta dela, ela demonstrou ter um ciúme doentio da Xabéu. Tão doentio que chorou quando o Cebola se preocupou com ela (que havia acabado de receber um raio de tecnologia alienígena desconhecida). O ciúme é infundado especialmente porque a Xabéu não é uma concorrente, ela é como uma professora e deixa essa diferença de idade bem clara em sua interação com o Cebola.

Mesmo tendo ido salvar a Xabéu, a Mônica não pareceu compreender a toxicidade de seus sentimentos. No momento em que Xabéu buscou manter contato e se preocupou com o bem estar da Mônica, esta lhe deu um tapa na mão.

Por outro lado, a Xabéu se mostrou uma pessoa responsável e de bom coração, pois ficou para trás, ciente de que provavelmente morreria para os robôs alienígenas, apenas para garantir a sobrevivência dos turistas. Ela também é uma lição de vida. Se tornou a número dois no comando da nave devido ao seu empenho nos estudos, tal qual o Zé Luís.

O Astronauta tem uma interessante caracterização como alguém desconfortável com o calor humano. A interação com o Franja mostra que não é um distanciamento proposital, apenas um estranhamento devido ao longo período durante o qual permaneceu sozinho no espaço.

No fim do volume ocorre um interessante espanto do Franja ao ver que o Astronauta está usando armas. Talvez este seja um choque de realidade, pois, possivelmente diferente do que pensa o Franja, para enfrentar ameaças advindas do espaço é preciso força letal. Isto rima com a desconfiança do Astronauta em relação ao templo e seu medo de que a humanidade conheça certos aspectos do mundo exterior. É algo simples, mas muito bom.

Muito bom também é o gancho para o próximo volume, que consiste em dois novos personagens. O primeiro é o misterioso robô protetor que salva a Mônica e a Xabéu. O segundo é a princesa Usagi Mimi, que é, aparentemente, uma imperatriz espacial com pouco apreço por roupas. Ela só usa uma armadura.

Terminando neste ponto, o vol. 6 aproveita ao máximo seu clímax e instiga a leitura imediata da continuação de O Brilho de um Pulsar. Embora eu desgoste de tramas espaciais e alienígenas, o vol. 6 de Turma da Mônica Jovem conseguiu capturar minha atenção e se tornar o melhor volume de até então.


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