Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 7: a princesa durona e o robô amável

A segunda parte de O Brilho de um Pulsar aproveita a sólida estrutura criada no vol. 6 e estende seus principais conflitos, valorizando a sensação de pequenez diante do mundo exterior. Além da boa conservação das bases, neste vol. 7 se destaca a exploração do Pulsar e da princesa Mimi.

Sendo a Mimi uma princesa guerreira, com seus treinos transmitidos para todo o império, faz sentido que ela não queira demonstrar fraqueza. Indo além, pelo que o pai dela disse e, principalmente, pela ordem dada ao Pulsar de se afastar dela, me parece que a Mimi se tornou uma pessoa fria conforme avançava na ambição de se tornar imperatriz.

A escolha por mostrar mais sobre o lado do vilão para o leitor é inteligente, pois torna muito mais relevante e imponente o momento do choque dos núcleos. Mimi e seu pai são como qualquer dupla de pai e filha, não apenas os inimigos da vez. Claro que a caracterização do Lorde Kamen parece explicitar que ele é o vilão, mas prefiro não tirar conclusões precipitadas.

A demonstração de poder do vilão também é impressionante. O império possui metade dos planetas habitáveis da galáxia, dez bilhões de sistemas planetários e, quando dois milhões de naves surgem para capturar o “resiliente”, 20% delas possuem mais massa que a nave dos terráqueos, a mesma que utilizou recursos minerais extraterrestres. É absurda a diferença de poder. O núcleo da Mônica é uma formiguinha perto do núcleo da princesa Mimi.

Fiquei curioso com relação ao funcionamento da hierarquia do império, mas isto deve ser explorado mais a fundo no próximo volume. Neste, trata-se apenas da busca da princesa por um treino rotineiro. O que para ela é só mais um dia, para o Astronauta é um passo mais próximo da total aniquilação.

O conflito do Astronauta com o Franja é novamente abordado, agora de uma forma mais clara. É palpável a decepção do Franja com alguém que ele admirava pela inteligência e que agora crê que as armas são a única opção. Mesmo que a posição dele faça sentido, condenar o Astronauta é injusto. Depois de tanto tempo conhecendo o mundo além das estrelas, é natural que ele esteja preparado para lidar com quem rejeita o diálogo.

Em vários momentos o Astronauta é desenhado com uma expressão de medo. O medo o fez se lançar com tudo para destruir o Pulsar. Tal sentimento se justificou, pois o Pulsar nocauteou-o em um único golpe. Além disso, segundo o Astronauta, um Pulsar tem poder para destruir o sistema solar (isso é Turma da Mônica Jovem ou Dragon Ball Z?).

A violência do Astronauta é uma sacada inteligente do roteiro, mas ainda melhor foi ter estabelecido o Pulsar antes disso. Ele mostrou ser alguém amável, criado com o propósito de servir e proteger, além de ter gerado uma bela conexão emocional com a Mônica. Isso me fez gostar do Pulsar e ficar com o coração na boca quando o Astronauta surgiu espancando-o, numa cena fantástica, que provavelmente é a melhor sequência de ação de até então (e, pelo que me lembro, não há nada no mesmo nível depois deste volume).

O Pulsar, embora seja um robô, possui sentimentos. Ele não gostou da Mônica apenas por ela ser parecida com a Usagi Mimi, mas também por ela ter sido boa com ele. Ambos são um casal não-tóxico e muito melhor que Mônica e Cebola. Quando a Mônica vai ao encontro da princesa Mimi (a qual ela chama de “dentuça”), está indo sim por seus amigos, mas, principalmente, pelo Pulsar.

No vol. 7 o Cebola acaba ficando meio de lado. Se por um lado o ciúme doentio da Mônica se mantém, o Cebola parece cair na birra e negar o lado protetor da Mônica que sempre existiu. Impressionante que esses dois sejam o casal principal da franquia Turma da Mônica Jovem.

O que fica no final é a expectativa quanto ao encontro das duas dentuças e qual é a natureza do Lorde Kamen. O vol. 7 de Turma da Mônica Jovem é muito bom no tato com os personagens e na construção do mundo. O ritmo é incrível, as sacadas são astutas e o humor, embora presente, é um acessório mínimo.


Deixe suas dúvidas críticas ou sugestões nos comentários e siga o Blog do Kira por e-mail para não perder os próximos posts. Acesse o Podcast do Kira, um canal com versões em áudio de alguns textos daqui e conteúdos inéditos.

Um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s