Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 8: o outro lado da princesa

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Se o vol. 6 foi uma introdução competente e o vol. 7 não deixou a peteca cair, não seria no vol. 8 que a coisa desandaria. Neste, o clímax com uma pitada de ação surgiu sem esquecer do desenvolvimento de personagem que marcou ambas as outras partes. Aparentemente, Turma da Mônica Jovem aprendeu muito com As Quatro Dimensões Mágicas.

Geralmente não tenho muito o que dizer das capas, mas a capa deste volume tem o Cebola no meio, o que não faz nenhum sentido. Ele é praticamente irrelevante em O Brilho de um Pulsar.

É legal como a Usagi Mimi foi aprofundada de modo a não ser uma desalmada, mas alguém que fez uma escolha. Ela decidiu se afastar do Pulsar porque a relação entre eles prejudicou o prestígio da família dela dentro do império. Ela estava em dívida com o pai e entendeu que para ser admirada e respeitada precisava ser durona o tempo todo. A Mimi também não esconde o sentimento que tem pelo Pulsar. Fica claro que a intenção dela em afastá-lo era perder a ponte da tentação, pois não conseguiria manter ele a meia distância.

Essa postura honesta da Mimi fez a Mônica se afeiçoar a ela, apesar de sua decisão burra (do ponto de vista da Mônica). A interação delas faz sentido e traz mais um degrau para a personagem Mônica, que revela o desejo de ser protegida. Ela é forte e todos sabem disso, sendo o suficiente para que os outros (leia-se Cebola) pensem que ela é autossuficiente, que ela não precisa de ninguém, e isso é doloroso.

Podemos dizer que o choro da Mônica quando viu o Cebola ajudando a Xabéu foi um choro invejoso e ela mesma reconheceu sua inveja quando decidiu não manter a farsa com o Pulsar. Ao fim de O Brilho de um Pulsar fica claro que a Mônica se entendeu melhor e evoluiu como pessoa, tendo como espelho a princesa Usagi Mimi.

O encontro da Mônica com a Mimi teve alguns pontos interessantes. A Mônica aguentou os golpes da Mimi de peito aberto, mostrando uma resistência absurda e um autocontrole igualmente impressionante. Além de cada golpe rasgar mais a roupa dela, houve uma faísca de tensão sexual entre as duas que me surpreendeu. Claro que não é nada impressionante, mas está ali.

O uso das piadas com relação à atração física permeia esta saga e é funcional. Eu gosto desse tipo de humor bobo porque ele combina com adolescentes. Não é um corpo propositalmente desproporcional ou uma calcinha aparecendo apenas para causar excitação, como podemos ver (e reclamar) em muitos animes e mangás. Tem muita diferença entre Highschool of the Dead e Dragon Ball.

A Mônica não venceu a Mimi, mas a transformou por dentro. Usagi Mimi era valente e a Mônica a ensinou a ter bom senso, humildade e abraçar seu lado mais humano (talvez não exatamente “humano”). Essa princesa completa estava pronta para ser imperatriz e o Lorde Kamen entendeu isso sem que o combate precisasse terminar.

Apesar da aura de vilão, parece que ele é apenas quem nomeia o imperador, então o imperador em si não chegou a aparecer. Kamen foi justo, ponderado e mostrou ser alguém com o objetivo claro de escolher os mais capacitados, além de possuir um senso de honra.

O núcleo dramático da nave mostrou que o império tem poder para obliterar, mas que, para conquistar, é necessário usar a intimidação numérica e vencer sem lutar. Eles usam a força e acreditam nela, mas não é como se seu ímpeto foi a mera destruição.

O desenrolar da relação do Astronauta com o Franja levou a conclusão de que é possível usar a inteligência para enfrentar inimigos muito mais fortes, só que, às vezes é preciso usar armas. Ambos os personagens mostraram um amadurecimento muito agradável.

A batalha com a Esquadra Punitiva foi boa, mas uma coisa ficou martelando na minha cabeça. Se a própria nave exigiu a utilização de minérios de outros planetas para ser feita, como o Astronauta construiu aqueles braços e pernas? Nem consigo mensurar o tamanho daquilo, é absurdo.

O Brilho de um Pulsar é uma saga impecável. É boa no ritmo, na ambientação, no desenvolvimento de personagem e no desfecho. Ela é tão boa que estou até com medo de concluir que é melhor que Monstros do ID, minha saga favorita da Turma da Mônica Jovem (que, inclusive, foi escrita pelo mesmo roteirista).

O vol. 8 de Turma da Mônica Jovem entrega um resultado de alta qualidade e me deixa com a certeza de que nada abaixo deste nível pode ser considerado bom.


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