Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 9: uma oportunidade desperdiçada

O vol. 9 de Turma da Mônica Jovem é um volume de transição que tem como objetivo explorar a mensagem “as aparências enganam”. O problema é que isso é fácil, previsível e resulta numa perda de oportunidade provavelmente imperdoável.

Se nos quatro volumes anteriores nós vimos como a Mônica é tóxica e ciumenta, neste temos o lado do Cebola, que provavelmente é até pior. Mesmo sabendo o quanto a peça era importante para a Mônica e o quanto ela contava com ele, Cebola não foi fiel ao compromisso. Se era desinteressado em teatro, bastava explicar a Mônica que não queria, mas, em vez disso, preferiu dar mancada. Mais de uma vez.

Então, depois de não ajudar a Mônica com o que ela queria, ele se sente no direito de atazanar a vida dela quando ela encontra um homem que a acompanha, o Toni. Creio que este seja o ponto mais importante do vol. 9 de Turma da Mônica Jovem. Independente da verdadeira natureza do Toni, as atitudes do Cebola ao longo da história foram apenas birras ciumentas de quem estava acostumado a ter a Mônica na mão.

Mais que isso, o que irritava o Cebola era o fato de o Toni não ceder às provocações e viver em paz com a Mônica, algo impossível para ele mesmo. Isto nada tem a ver com um “sexto sentido” que revelou somente ao Cebola que havia algo de errado com o Toni. E este é o maior erro do vol. 9, fazer o Toni ser alguém ruim. Existem três problemas com esse plot twist:

1 – Faz o Cebola ter razão. Depois de toda a birra demente do Cebola, o vol. 9 o condecora com a medalha do “eu avisei”, quando qualquer um vê que era só ciúmes. Com isso, o Cebola se sai como herói, em vez de ser reconhecido como alguém ruim para relacionamento.

2 – Prende a Mônica ao Cebola (um relacionamento obviamente tóxico). O roteiro segue passando a mão na cabeça de ambos os protagonistas e fingindo que eles são um bonito casal, sendo que está mais do que evidente que eles são emocionalmente instáveis e um risco para a saúde mental um do outro.

3 – Passa a mensagem de que as pessoas não mudam. O Tonhão da rua de baixo, que fora humilhado pela Mônica, guardou rancor e se preparou para seduzi-la e destruí-la com uma friendzone. Ele podia ter amadurecido, entendido que aquilo era tudo bobagem e se interessado pelas qualidades da Mônica, mas, não, era só vingança, porque uma vez babaca, sempre babaca. Bem parecido com o Cebola.

Turma da Mônica Jovem perdeu uma incrível oportunidade de mostrar que as pessoas podem evoluir e freou o desenvolvimento da Mônica. O vol. 9 tem como possível serventia alterar o status de relacionamento da Mônica e não o faz, tornando o volume como um todo irrelevante. Deste só se aproveita a inserção do Toni, que, pelo que me lembro, não é útil mais do que duas ou três vezes ao longo da primeira série.

O vol. 9 de Turma da Mônica Jovem não é ruim, mas não faz as coisas úteis que ele poderia fazer. E presumo que o problema do status de relacionamento vá se repetir ao longo da franquia.


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