Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 10: os verdadeiros amigos

O vol. 10 de Turma da Mônica Jovem pode ser considerado a continuação do vol. 5, pois a ideia de “aventuras do dia a dia” continua, só que um pouco melhor, com mais foco na amizade e um humor não visto nos quatro volumes anteriores.

A trama é simples e faz sentido: a Mônica é valente, gosta de proteger e ajudar os amigos, mas isso a prejudica em sua vida escolar. A ideia de que ela não se negou a auxiliá-los casa com a personalidade dela. Como no vol. 5, neste existem três histórias, as quais são contadas pela Mônica em forma de flashback.

A primeira segue aquela caracterização do Cebola como um “inventor tecnológico”. No vol. 9 ele era o mestre das câmeras e aqui está desenvolvendo um jogo com o uso de captura de movimento. Acho essa premissa um tanto exagerada, mas a piada com a roupa colada é muito boa. Provavelmente ele só chamou a Mônica por querer vê-la naquele traje, afinal, já foi bem explicitado o interesse dele pelo corpo dela.

A segunda é a história mais forçada. Do nada existe um programa de competição nutricional e a Mônica está junto com a Magali enfrentando a Carmen e a Denise. Não é uma ideia ruim, mas vai além da minha suspensão de descrença. Se não fossem a Carmen e a Denise, teria sido melhor.

Outro problema desta história é a inicial derrota da dupla protagonista. Se a Magali é a especialista, por que deixou a Mônica responder? Ela disse que pensou que a Mônica sabia, mas isso não é justificativa. A Magali nunca foi caracterizada como alguém que não confia em seus conhecimentos. Na primeira resposta errada da Mônica ela já devia deixar claro que a sua função era responder e a dela apertar o botão.

Aliás, é sério que a Magali tem tempo de dizer “eu sei” e não tem tempo de apertar o botão?

A história do parkour é a mais comprável. Não é preciso boa vontade para aceitar o que acontece, embora tenha me incomodado a colocação de que o Cebola em vez de gravar o Cascão gravava garotas, pois ele não é um tarado (não que eu saiba, pelo menos).

Amigos contam uns com os outros e por isso a turma pedia a ajuda da Mônica com os seus projetos. A perspectiva de ser só ela a pessoa que ajuda fez a Mônica ter um momento de pensamentos egocêntricos do tipo “todo mundo conta comigo e eu não posso contar com ninguém”.

O ponto é que ninguém a ajudou porque ela não disse que estava com problemas. Cascão, Cebola e Magali são bons amigos que, sem que ela pedisse ajuda, se organizaram para impedir que ela reprovasse por ter notas baixas. E é assim que os amigos são, eles se ajudam e se preocupam uns com os outros.

É extremamente canalha agir como a Mônica, que se dispôs a ajudar todo mundo, não pediu ajuda e depois ficou reclamando que só ela ajudava. Esse tipo de ego inflado é perigoso e pode acabar com amizades de longa data. As palavras têm poder (o que veremos com mais clareza no vol. 16).

Uma coisa que eu não entendi: se o Poeira Negra terminou o vol. 4 pedindo para ser chamado de Capitão Feio, por que no vol. 10 ele reclama quando o chamam de Capitão Feio? O roteirista esqueceu só para fazer aquela piadinha desnecessária.

O vol. 10 de Turma da Mônica Jovem é bem fraco, mas possui uma mensagem bonita que é bem passada.


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