Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 12: Cascão, Cebola e o valor do esforço

A segunda parte de Ser ou não Ser é superior a primeira e possui seu ápice na partida de futebol. Assim como no volume anterior, a sensação que fica é de que o uso da ficção científica tornou o enredo inferior ao que poderia ser. Não é incoerente nem é ruim, mas é fraco, bem fraco.

O interlúdio inicial foi bem estranho. Ele não acrescenta nada, não funciona como introdução de volume e sugere que o Cascão é um lunático que fica se imaginando em um episódio do Cosmo-guerreiro, quando devia estar focado no treino para as finais. Muito ruim.

A reação do Cascão de acreditar que apenas um milagre o faria jogar bem combina com a sua natureza. Ele é um gênio do futebol e fazia chover em campo naturalmente, só que os robôs e o Dudu o deixaram tenso e, com a cabeça cheia, não acontece mais no automático. E quem não tem talento precisa se esforçar.

O treino com a equipe havia acabado de terminar e já estava o Cebola, sozinho, treinando chute no muro. Essa é uma das cenas mais bonitas de Turma da Mônica Jovem. O Cebola sabe que não joga bem, sabe que precisa render mais e treina duro para que tudo seja diferente. É interessante esse contraste com um Cascão que, em condições inferiores de desempenho, queria era ir para casa assistir ao Cosmo-guerreiro.

A ideia de o Cascão precisar treinar é boa e o treino é engraçado, mas parece um placebo. Ficar com a bola o tempo todo não melhora a perícia de ninguém, mas certamente desviaria a atenção do Cascão para que os problemas fora do campo não atrapalhassem seu rendimento.

E assim, mesmo que o futebol do Cascão não tenha melhorado de qualidade, seu esforço serviu de exemplo para os outros. A equipe do Colégio do Limoeiro contava demais com o talento do Cascão e claramente não tinha consciência de que o time não pode depender de um craque, ele tem que funcionar em conjunto.

A perspectiva da necessidade de um todo forte foi coroada com o gol do Cebola. Não foi um gol de talento, foi um gol de esforço. O trabalho duro do Cebola foi recompensado com a ampliação de sua qualidade e o mesmo deve ter acontecido com os demais do time, que adotaram o treino 24h do Cascão. Pena que Ser ou não Ser prefere ser uma ficção científica a ser uma história esportiva.

O Colégio Geminoid era composto por rapazes idênticos sem nenhuma emoção, então é óbvio que eram robôs. Dito isto, precisava mesmo interromper a partida para esta revelação? Seria muito melhor o Colégio do Limoeiro vencer na raça e depois isso ser descoberto. O Geminoid é um time de cascões e o Limoeiro havia compreendido que a equipe precisa ir bem, sem depender do Cascão. Seria totalmente lógico o trabalho em equipe somado ao treino intensivo tornar o Limoeiro superior ao Geminoid. Perdendo por 3×1, só venceram pela desclassificação do adversário.

O momento do pompom voador me irritou consideravelmente. Sabemos que a Mônica é desastrada, então aquilo poderia ter acontecido em qualquer momento, inclusive antes do jogo começar. Foi muito conveniente a decapitação do robô justo após o gol do Cebola.

Sobre a coisa toda da Fundação Geminoid e os robôs, o único elemento que destaco é a piada com o Robocop. O resto é bem descartável e particularmente irritante.

Os aspectos de relacionamento prosseguiram bem. A Cascuda continuou sendo fofa com o Cascão e a Aninha parou de ceder e deixou claro para o Titi que iria ajudar as amigas. Esse namoro ainda deve render mais conflitos, pois o Titi estava contrariado e a discussão não terminou.

O humor com o Do Contra ficou muito bom. Há algumas páginas em que todos os personagens estão fazendo uma coisa e o Do Contra faz outra, por exemplo, quando todos incentivam o Cascão, o Do Contra vaia.

Os vol. 11 e 12 são mais uma oportunidade perdida. Eles podiam retratar uma incrível história sobre companheirismo, esforço e a necessidade de cuidar da saúde mental, mas, em vez disso, Ser ou não Ser escolheu a saída mais mirabolante e menos útil para o desenvolvimento dos personagens. No balanço final, Ser ou não Ser tem bons momentos, mas é um arco bem fraco.


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