Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 13: O Dono do Mundo

O vol. 13 de Turma da Mônica Jovem se passa, durante boa parte do tempo, num ambiente virtual. Embora não haja muita lógica nessa ambientação, devido à caracterização dos personagens como se fosse uma realidade virtual imersiva, o que não é o caso, usar um jogo como base para o desenvolvimento da história rende caminhos interessantes. O Dono do Mundo é interessante como um todo, mas peca principalmente na motivação do “vilão”.

Não é novidade o design dos personagens ter boa qualidade, mas no vol. 13 se destacam as referências a animes, como Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Naruto. Essas piadas visuais funcionam muito bem em se tratando de um jogo virtual, já que podem ser justificadas pela “oferta de roupas” existente no World of Animecraft.

Esse arco é do Cebola e a aparição dele é épica. O visual do Capitão Onion é espetacular e suas particularidades, como o exército de penados e a gigantesca Fantomus, são muito interessantes. Neste ambiente virtual, o Cebola está no caminho para dominar o mundo. É um dos personagens mais fortes do jogo, é temido e odiado. A caracterização perfeita para um vilão.

O Cebola deste volume tem o ego massageado pelo status que possui no jogo. Por isso ele decidiu ser o melhor sozinho e por isso aceitou a Lucília como parceira, pois isto é uma forma dele se exaltar enquanto mestre.

Foi boa a decisão do roteiro de criar a possibilidade de combinar as armas mais poderosas do jogo para forjar uma e assim unir todos os poderes para a batalha final. Dá um senso lógico muito bom para fortalecer a composição do mundo ao qual estamos sendo apresentados.

Pela primeira vez a Mônica não é importante, já que, diferente dos outros personagens, ela não liga muito para o jogo. Isto tem uma função especial para que seja criada a expectativa em torno da identidade da Lucília, só que isso leva a um grande problema de roteiro: a resposta é óbvia. Na parte final de O Dono do Mundo eu explico melhor.

É interessante como o Cebola é um idiota tirando onda com a Mônica por conta do desempenho dela no jogo. Ao longo da franquia ocorrem momentos legais de enfrentamento deles, mas este é patético. Além do jogo tê-lo deixado bobamente arrogante, o fez deixar de ir para a escola para jogar. Um ponto importante, mas pouco explorado.

O olho solitário na cena final do vol. 13 (e a lógica) indica que ali está a Magali e Cascão, o que é outro problema. Por que a Magali iria proteger o Cebola e depois atacá-lo? Sim, ele deu sinais de estar com as prioridades invertidas devido ao jogo, mas não pareceu algo sério. Ainda que fosse sério, a Magali só o ajudaria falando com ele pessoalmente, não atacando ele no jogo e o impedindo de vencer o chefão. Esse pensamento sequer condiz com a personalidade meiga da Magali.

A baixa qualidade do vilão acaba puxando para baixo a qualidade do vol. 13 porque enfraquece muito o gancho e a única tensão que nos foi apresentada, pois é apenas um jogo online e a Lucília parece ser uma boa pessoa. Tenho uma memória afetiva muito forte em relação ao vol. 13, mas a primeira parte de O Dono do Mundo é bem fraca.


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