Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 14: Mônica, Lucília e o roteiro ruim

Gosto muito de O Dono do Mundo, mas o roteiro é ruim. Como o enredo desta saga é simples, o que existe de mais relevante para comentar é justamente o que é ruim. Primeiramente, vamos aos pontos positivos.

A ambientação, com a devida suspensão de descrença, é muito boa. O mundo virtual empolga e dá vontade de ver mais sobre as classes, os lugares e desafios do lugar. É tão bom que eu gostaria de ler um volume focado nas aventuras da Mônica e do Cebola.

O clima do jogo é coerente. Buscar frutinhas no bosque para trocar por um serviço de uma classe especial de personagem é bem coisa de jogo mesmo. Usar o Nimbus como aquele que transforma dúzias de armas em duas foi uma sacada inteligente e com jeito de “solução para o problema final”. Gostei especialmente do sabre gravítico, uma espada que atira, bem funcional.

A luta contra o surpreendente Bugu foi muito boa. O monstro mais forte do jogo é imune a ataques físicos e mágicos, tendo como ponto fraco a possibilidade de ser distraído. A distração foi lógica e uma boa piada, resultando no ótimo final: Cebola venceu, mas a Coroa do Rei do Mundo não é dele, é da Lucília. Essa deve ser a maior derrota que o Cebola poderia sofrer: sua “discípula” dominar o mundo e ele não.

A aparição de outros personagens da turma no jogo foi legal. A do Titi me agradou por trazer a possibilidade de comprar uma conta de nível alto  em leilão.

O conflito no mundo real não é de todo ruim, mas como falar do mundo real é falar dos problemas do roteiro, vamos a eles.

Por mais que faça sentido a Magali querer intervir ao ver o Cebola prejudicar a própria saúde e suas amizades por causa do jogo, a conclusão quanto ao que fazer é bizonha. Ajudá-lo em sua jornada para depois sabotá-lo não iria mudar nada, só fazer o Cebola passar mais tempo no jogo. Qual era o plano da Magali? Ficar empatando o caminho Cebola para sempre?

Nem ao menos foi mostrado que ela tentou falar com ele pessoalmente. Tudo nessa posição de vilania da Magali é ruim, ainda que o Cebola merecesse um sacode para corrigir as suas prioridades.

E como não há uma grande tensão entre os protagonistas, o roteiro optou por usar o mistério sobre a identidade da Lucília como um ponto de destaque do enredo, mas ele fez isso muito mal.

Ele colocou a Mônica como um falso plot twist da identidade para surpreender e arrebatar o leitor, mas deixou a revelação telegrafada, em especial pela capa do vol. 14, que injustificavelmente une o Capitão Onion, a Lucília e a Mônica. Além disso, o comentário da Magali sobre “parecer que a conhecia” foi um pouco demais, deixou muito óbvio que era a Mônica.

Só que a Mônica deixou claro, especialmente para a Magali, que não tinha interesse em continuar o jogo. O Cebola tudo bem, mas é ilógico a Magali pensar que a Lucília era a Mônica. E digo mais, se a Magali achava isso, devia ter conversado pessoalmente com a Mônica antes. Caso essa dedução tenha vindo após o Cebola explicar o encontro, então ela não poderia se preocupar com o “encontro marcado pela internet”.

Na primeira vez em que eu li o vol. 14, fiquei surpreso com a revelação, mas não deveria. Se um plot twist é baseado em uma identidade secreta, precisa ser alguém conhecido, do contrário, não há impacto (exceto em casos muito específicos).

Ninguém da turma da Mônica, nem ela mesma, teria motivo para se aventurar com o Cebola escondendo a identidade. E qual foi o único personagem apresentado nesta saga? A professora Ana Paula. É bom que seja ela e gosto da interação deles, tanto no jogo quanto na vida real. A aparente paixão do Cebola por ela é até um drama adolescente clássico. Talvez se tornasse recíproco com o tempo, pois ela pareceu gostar de verdade dele, mas as consequências para a vida pessoal do Cebola devem ter alertado a Ana Paula.

Por mais que a relação Cebola/Lucília/Ana Paula seja muito boa, os maiores compostos de O Dono do Mundo são o plot twist e a vilania da Magali, duas coisas mal desenvolvidas. Por estes motivos, infelizmente, esta saga é ruim.


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