Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 18: Mônica, Magali e a ingratidão

Surge Uma Estrela é, essencialmente, uma história sobre amizade. Mais especificamente, o laço entre a Magali e a Mônica. Neste sentido, a capa do vol. 18 é eficiente em apresentar o conflito da trama, embora traga um preconceito errado de que a Magali ficará brigada com a Mônica, o que não é o caso. Antes de falar sobre a história, cabem algumas palavras sobre o Fala Maurício desta edição.

Maurício de Sousa tem em todas as edições de Turma da Mônica Jovem uma página de “papo livre”. Geralmente o que ele diz não importa muito, mas, neste caso, ele falou sobre Monstros do ID. Maurício deixou claro que tinha um pé atrás com o jeito “pesado” da saga, o que diz muito sobre o clima suave (até demais) que existe durante a maior parte da franquia.

Outro comentário dele foi não ter gostado da meia cor que fora usada. Concordo que aquilo não é algo a ser utilizado sem motivo, pois é a caracterização do ID. De um jeito ou de outro, creio que não veremos mais algo assim por um bom tempo.

Depois que eu chegar ao volume atual vou escrever sobre o tom geral da franquia, porque, pelo que ouço dos fãs, a infantilização é uma pedra no sapato constante. Creio que essa falta de seriedade torne Turma da Mônica Jovem bem menor do que poderia ser. Agora, vamos ao vol. 18.

A primeira parte do enredo é como uma “aventura do dia a dia”, só que de um modo bem mais interessante que os vols. 5 e 10. É totalmente compreensível que duas fãs de uma banda famosa em seu primeiro show passem maus bocados.

É uma situação humana e até um pouco divertida por natureza. É um contexto adequado para inserir a Denise, personagem que eu particularmente não gosto, mas que é uma grande muleta para o humor (a Denise é o Bloguinho socialmente aceito).

Apesar da comédia eficiente, destaco aqui a cena em que a Mônica pede ao pai para que as deixe mais adiante da entrada por vergonha de verem que ela foi levada ao show pelo pai. É triste porque o Sousa foi prestativo e sabemos que ele é atencioso com a filha. Não é como ir à escola, ali no show ninguém ligaria a mínima para a Mônica e com quem ela chega ou deixa de chegar. É um vislumbre da Mônica tóxica.

Antes do show, a Magali “sugere” que as roupas da Mônica ficariam largas nela, só que isso não faz sentido. As duas têm o mesmo corpo, só muda a cabeça. Inclusive, desde a Turma da Mônica clássica é estranho ver piadas sobre peso com a Mônica sem que ela pareça ser realmente gorda, se comparada aos demais.

Apesar dessa piada, o vol. 18 se dedica a mostrar como a Magali faz de tudo pela Mônica. Sabendo que a amiga precisava de ajuda para treinar para o concurso, ela se ofereceu para ajudá-la (lembrando que a Mônica estava a evitando). Magali deu mais atenção a ela do que ao namorado, e teve sucesso. A Mônica ficou muito melhor no desempenho artístico após a maratona de treinamento.

Mas, no dia da audição, entrou o fator humano. É lógico que o ambiente cheio de concorrentes tinha potencial para intimidar a Mônica, e isso a deixou nervosa, inutilizando seu esforço. Ante a completa humilhação da amiga, Magali cantou e dançou, sabendo que aquilo não fazia sentido, apenas para que a Mônica se lembrasse do que tinha que fazer e saísse do transe do nervosismo.

A estratégia deu certo, mas era evidente que, depois do fracasso inicial, a Mônica não conseguiria a vaga de quinta estrela. É hora de discordar da Magali e concordar com o Cebola. Sabendo o quanto a Mônica se importava com aquilo, era necessário deixar claro para ela que suas chances eram quase nulas, ou então a derrota despertaria um monstro, que foi exatamente o que aconteceu.

O plot twist de a Magali ser escolhida como a nova Star Star foi inteligente. É algo que faz sentido e surpreende. O problema é a Mônica. Depois de tudo o que a Magali fez, a atitude da Mônica de considerar que ela era traiçoeira é um absurdo, a mais profunda ingratidão. É um pensamento extremamente mesquinho. No vol. 18 detestei a Mônica mais do que nunca. A Magali não merece a Mônica. E o Quim não merece a Magali.

Uma subtrama do vol. 18 é a insegurança do Quim. Ele contou que sentia que a Magali não dava atenção para ele e o trocava por programas com as amigas. Considerando os suspiros dela pelo professor Rubens e o histórico de clima amoroso com outros personagens, eu acredito nisso. É nítido que o Quim gosta da Magali e não quer ficar sem ela, mas, certamente, ele merece coisa melhor. A Aninha também merece (olha o casal possível aí).

É interessante como o humor funciona muito melhor quando Turma da Mônica Jovem fala mais sobre o dia a dia do que sobre coisas fantásticas. Neste, em especial, existe um uso acentuado de metalinguagem, que é quando a arte fala dela mesma. Em vários momentos os personagens demonstram saber que estão em um mangá e a Denise ainda “gasta quadros”, pois a cena seguinte era a aparição das Star Stars e elas só aparecem em página inteira.

O vol. 18 de Turma da Mônica Jovem é legal. Não é lá grande coisa, mas não possui muitos erros. Gosto da ideia de explorar mais a fundo a amizade entre a Mônica e a Magali e torço para que mais disso seja feito no futuro.


Deixe suas dúvidas, críticas ou sugestões nos comentários e siga o Blog do Kira por e-mail para não perder os próximos posts. Acesse o Podcast do Kira, um canal com versões em áudio de alguns textos daqui e conteúdos inéditos.

Um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s