Crítica | Aviso de Tempestade (2007): quase torci pelos vilões

Ficha técnica no IMDb

Aviso de Tempestade pode ser vendido como um filme de cativeiro e tortura de inocentes, mas não é bem assim que a história dele é. A maior parte do longa é feita apenas de expectativa e suspense, que deságua em algumas poucas cenas mais fortes. O que mais se destaca em Aviso de Tempestade é a estupidez dos protagonistas.

O casal foi dar um passeio de barco a sós, se perdeu e foi parar em uma ilha pouco habitada. Depois de ver um homem sendo agredido na estrada tiveram a brilhante ideia de entrar em uma casa que estava sem ninguém dentro, como se isso fosse uma coisa indicada a se fazer naquela situação. Além de xeretar a propriedade, ainda fizeram o absurdo de já começar a falar com os proprietários pedindo ajuda para chegar à civilização.

Esse comportamento debiloide se arrasta muito. Mesmo estando na casa alheia que invadiram, eles continuam fazendo pedidos, exigências e reclamando, como se fosse direito deles. O correto a se fazer naquela situação era ajoelhar e pedir perdão pela invasão de propriedade, mas o casal faz o oposto.

A cena do chuveiro é particularmente engraçada. O Rob conta sobre a plantação de maconha sem pensar no risco de ser ouvido e sequer tem um plano real para fugir dali, é só uma conversa vazia, que provavelmente motivou o Jimmy a pegar a roupa deles. Depois ele ainda tem a ideia burra de deixar a Pia do lado de fora e ir conversar com os proprietários sozinho, sem pensar no risco de a Pia ser pega indefesa.

Do começo ao fim Aviso de Tempestade deixa claro que a sentença de morte foi assinada pelos protagonistas no momento em que a estufa foi violada. Se eles fizessem o que mandam as boas maneiras, não teriam sofrido, pois, diante de tamanha babaquice da parte deles, os vilões não tinham motivo para deixar de açoitá-los. Por isso quase torci pelos vilões. Quase.

Um filho com claros problemas mentais (Brett), outro filho no meio do caminho da loucura (Jimmy) e o pai violento desprezível (Poppy). Gostei dos vilões, embora eles não tenham lá grande qualidade, devido à caracterização e o andamento do enredo. O que eles fazem não é gratuito. O casal protagonista desde o início pediu para sofrer e o pai tinha tanto medo de ser pego pela polícia quanto raiva pela interferência na plantação.

Os vilões fizeram apenas duas coisas próximas de tortura: quebrar a perna do Rob e o estupro da Pia. O primeiro caso foi durante uma reação e o segundo levou a uma reviravolta positiva para a Pia, então podemos dizer que os protagonistas não chegaram a sofrer realmente. Isso me deixou com a sensação de que o roteiro fazê-los vencer era como premiar um mau comportamento.

Há quatro cenas violentas mais gráficas, as quais prejudicam os vilões. A primeira foi a partir de uma engenhoca com anzóis. Me deu muita aflição, mas achei difícil acreditar que a Pia fez aquele esquema perfeitamente, lá dentro do celeiro, com uma destreza digna de Jigsaw. Podia ser uma armadilha mais simples.

A segunda cena foi a do estupro. Como a armadilha foi parcialmente mostrada antes, soou coerente aquele desfecho. Só não tenho certeza quanto a fazer sentido o Poppy não ter percebido o pote, pois ele chegou a olhar e acho que o pote devia poder ser visto. Já que independentemente da anatomia feminina permitir ou não aquilo o Poppy pode ter se enganado ou ser burro, não considero um erro.

Desta se desdobrou outra cena tão tenebrosa quanto e muito coerente com o que foi sugerido ao longo de Aviso de Tempestade.

A última cena foi a que mais me irritou. O Jimmy foi deixado vivo por motivo nenhum dentro do celeiro e o roteiro escolheu matá-lo do modo mais espalhafatoso possível. Péssima decisão. Dá ao filme um tom trash que podia ser evitado (o mesmo vale para o final da cena anterior).

Eu preferia que o final do filme mostrasse os protagonistas chegando à civilização, mas acabar em cima da ação não foi algo ruim. De qualquer jeito, Aviso de Tempestade é um filme tipo cativeiro com protagonistas irritantes, violência gráfica exagerada e um enredo esquecível.


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