Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 20: Um Dia de Agito

O vol. 20 de Turma da Mônica Jovem é um volume de transição sem uma grande mensagem, mas, ainda assim, é uma aventura funcional.

A ideia do enredo de mostrar os personagens tentando ganhar dinheiro para ir ao cinema é legal, bem situação de jovem mesmo, mas foi estranho o Cebola querer vender gibis, afinal, é apenas uma ida ao cinema e eles poderiam conseguir mais dinheiro via bicos sem a necessidade de vender nada próprio. Ainda sobre o Cebola, manter o aspecto da lavagem de carro foi legal.

As atividades de babá de pets da Mônica e da Magali não passam tanto a sensação de trabalho duro render lucro, mas são tarefas muitas vezes necessárias. Foi bom, inclusive, o roteiro incluir o inconveniente da sujeira do cachorro ter de ser limpa por quem está guiando ele por aí. Tem muita gente que finge que isso não é um dever.

É incômodo ver o Cebola e a Mônica agindo como casal e insistirem que não são namorados. Eles já se beijaram, todo mundo sabe que eles se gostam, mas continuam de frescura, como se fosse uma coisa implícita, quando obviamente não é. Lendo o vol. 20 nem parece que são os mesmos personagens dos vol. 15 e 16 (sim, eles tiveram a memória comprometida, mas até o desenvolvimento emocional? Isso é um erro imperdoável).

O flashback na praia tem uma composição muito esquisita. Na primeira cena, a Magali e a Mônica estão quase de costas uma para a outra e conversando, o que não faz sentido. Depois o roteiro repete a mesma ideia (que eu já vi várias vezes desde o vol. 1) de a Magali não ser mais comilona.

Há uma piada fraquíssima envolvendo a Denise e a Magali desaparece, como se não estivesse na interação. Então a Mônica pede para o Cebola chamar a Magali para que ela passe bronzeador na Mônica, como se a própria Mônica tivesse esquecido que a Magali foi comprar sorvete um minuto antes.

Todo esse flashback é esquisito. Diálogos estranhos, a conveniência de todo mundo estar na praia ao mesmo tempo como se fosse uma excursão da turma (o que incluiria o Toni) e o clima de romance, parece tudo deslocado. Na verdade, Um Dia de Agito inteiro é recheado desses diálogos meio vergonha alheia e piadas bobas. Que o diga o uso fora de hora de palavras em inglês.

Uma piada que achei inteligente foi a do Cascão dizendo que a sujeira do rosto é marca registrada, “um lance contratual”, o que faz sentido se considerar que os personagens são atores interpretando um roteiro. É aquele tipo de piada metalinguística que Turma da Mônica sempre soube fazer muito bem.

O duelo de conhecimento do Cebola com o Toni rendeu boas referências, mas me irrita o jeito que o vol. 20 transforma o Toni em alguém um pouco chato e convencido, mas nem de longe tão malvado quanto ele foi no vol. 9. Inclusive, é um absurdo a Carmen sair com ele depois de ele ter envenenado ela. Para fechar com chave de lixo, o Toni ainda deu para os protagonistas os ingressos que ele comprou só para zoar o Cebola e pagar de bonzão.

No fim das contas, o vol. 20 é bem fraco, tem uma arte meia boca e um roteiro sofrível. Não recomendo a leitura.


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