Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 21: Monicalice no País das Maravilhas

O vol. 21 de Turma da Mônica Jovem é uma expansão fantasiosa bem diferente dos temas apresentados até então. Além do clima mais leve e despretensioso do País das Maravilhas, é neste volume que a arte da revista ameaça evoluir e ficar mais complexa.

A ideia do enredo é uma boa sacada: Marina usou o lápis mágico para desenhar uma porta no livro Alice no País das Maravilhas e isso permitiu que personagens fossem para o mundo real, onde encontraram a Alice mãe da Marina e acharam que ela era a Alice do livro.

Quando a Rainha de Copas age contra a “Alice”, leva para o País das Maravilhas vários personagens da turma. Cabe então à aniversariante Mônica ir para o País das Maravilhas junto com o Coelho Branco e resgatar seus amigos. Sabe qual é o problema dessa ideia? A Mônica.

Se vai ser usado como ponte para os eventos o nome da mãe da Marina ser Alice, faria muito mais sentido a Marina protagonizar a saga numa jornada para salvar a mãe. Sim, ela poderia “libertar” a Mônica no caminho, mas esta deveria ser a saga dela, não da Mônica.

É legal a possibilidade de “libertar” e recrutar os personagens transformados em seres do País das Maravilhas, mas a dedução da Mônica quanto ao Xaveco e ao Titi é tão sem justificativa que seria melhor nem manter no roteiro. É bem diferente da qualidade do raciocínio envolvendo a Magali, a Denise e o Cascão.

O design deles é bom, tanto na versão transformada quanto na versão humana, mas o destaque fica para o Chapeleiro Louco. É de longe o mais atraente dos personagens, embora não tenha sido completamente explorado. É até meio patético como ele é o Cebola de chapéu, sendo que os outros eram bem diferentes.

Como neste vol. 21 não existe um desafio de fato, um vilão ou senso de risco, o humor e a aventura são o único elemento a se apreciar. E não é bem apreciável. A piada do CSI é vergonhosa de tão ruim e lá vai o roteiro insistir na comédia com o nome do Ângelo.

Vale ressaltar a cena em que a Magali diz que o cascão é um gatinho fofo. Existe um contexto para essa frase, já que o Cascão está vestido de felino, mas não deixa de ser mais uma evidência de que os sentimentos da Magali pelo Quim não são lá muito sólidos ou prioritários.

Creio que o Casgali (péssimo nome de shipp, diga-se de passagem) ganha força muito mais pela fraca relação da Magali com o Quim do que pela relação Cascão x Cascuda.

Não há muito mais o que dizer, pois a estrutura do vol. 21 o faz ser um grande nada. Sequer vemos o vilão em tela e o gancho para o vol. 22 é fraco, já que é óbvio que o Chapeleiro Louco é o Cebola.

O vol. 21 de Turma da Mônica Jovem é tão fraco quanto os volumes de transição e não faz mais do que criar a ambientação para uma aventura que talvez vejamos no próximo volume, se o 22 não falhar também, é claro.


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