Crítica | Audition (1999): a pior dor é aquela que aflige inocentes

Ficha técnica no IMDb

Sete anos após a morte de sua esposa, o executivo Aoyama conta com a ajuda de seu amigo, um produtor de TV, que arma uma audição para um filme a fim de escolher sua futura esposa. O viúvo fica fascinado por Yamazaki, uma jovem bela e misteriosa.

Audition tem uma fotografia bem agradável. Em vários momentos a câmera se posiciona de modo a pegar um ambiente amplo e até mais de um cômodo ao mesmo tempo, o que torna a imersão mais eficiente. Há um bom trabalho de ângulos e atuação, o que torna esta parte técnica de Audition um ponto forte.

Um dos maiores méritos de Audition é ser um filme equilibrado e honesto, que faz com qualidade o que deve ser feito, sem negligenciar algum aspecto em detrimento do “gênero” do filme. Por este motivo, há meia hora de filme até que coisas estranhas apareçam e essa “lentidão” pode causar uma falsa impressão de que o filme é um romance ou um drama.

Audition só possui um defeito em termos de estrutura: abusa demais das “visões”. As cenas do Aoyama após ser drogado demoraram muito, especialmente considerando que não era uma viagem astral, ou coisa do tipo, para que ele pudesse visitar o passado da Yamazaki.

Esse mecanismo, na prática, serve para desenvolver a Yamazaki, embora não se possa tomar como inteira verdade o que fora projetado pela mente do Aoyama. Como existia realmente um saco bizarro, considero uma esperteza do filme explorar isso dessa forma mais psicodélica. Um passado de abusos levou ambos os personagens à situação atual.

É interessante que, embora o roteiro deixe claro o nível de crueldade da vilã, é possível concluir que ela só atacou o Aoyama por pensar que a atitude que ele teve para com ela era algo frequente. Claro que não estou querendo dizer que as atitudes dela são justificáveis, mas sim que o Aoyama era totalmente inocente.

E por ele ser inocente, as cenas de tortura são dolorosas. A Yamazaki se empenha em fazê-lo sentir dor e ele é incapaz de reagir. São momentos difíceis de assistir e só ocorrem no final do filme, permitindo que a tensão seja elevada e breve. Aquela lentidão inicial serve justamente para tornar este final mais relevante e foi um dos pontos que mais gostei em Audition.

O destaque negativo no final fica para o filho do Aoyam e sua burrice exuberante. Ele foge da Yamazaki subindo escadas, cai e fica lá parado em vez de fazer o possível para se afastar dela. Praticamente pediu para ser vencido e depois ainda deu as costas à Yamazaki (ela havia caído das escadas, mas creio que todo cuidado seja pouco). Senti falta de um epílogo, mas Audition terminou no ponto alto do filme.

Audition é um bom filme de suspense. Tem bom roteiro, boas atuações, boa fotografia e leva com cuidado a narrativa, sem faltar desenvolvimento ou violência. Não é uma pérola, mas merece ser assistido.

Observação: fui só eu que não entendi o aparente interesse da funcionária do Aoyama nele? Afinal, ela ia se casar ou não?


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