Top 10 | 5 razões para não gostar do final de Percy Jackson e os Olimpianos

A franquia de livros Percy Jackson e os Olimpianos (escrita por Rick Riordan) obteve grande repercussão em todo o mundo. No Brasil, fizeram sucesso tanto os livros quanto os filmes, apesar de os filmes serem largamente criticados por modificarem detalhes dos livros (em parte para americanizar a história). A lista abaixo é uma remasterização de uma lista que escrevi há muitos anos sobre o que me fez achar o final do filme O Mar de Monstros melhor que o final do livro O Último Olimpiano.

Quinto lugar — A solução romântica

No fim do último livro, Annabeth diz a Luke que ela tinha uma forte admiração por ele, mas que não era amor. Isso é uma completa contradição, pois ela sempre suspirou por ele, e mais, quase nadou para a morte por ver uma ilusão na qual Luke estava à sua frente. Isto é um recurso porco usado especialmente para finalizar romances em histórias cujo foco não é o romance. A mesma imbecilidade é usada na relação entre o Naruto e a Sakura. Em cinco livros há tempo mais do que suficiente para desenvolver um sentimento de modo que uma frase boba como essas não seja dita.

Quarto lugar — A lâmina maldita

Foi colocado em suspeita que a “lâmina maldita” da profecia era a foice de Cronos, algo que eu achei muito interessante, mas no fim foi revelado que a lâmina maldita era o facão de Annabeth. Este lhe fora dado por Luke, e, como Luke foi falso, a arma se tornou maldita. Esse é um grande balde de água fria para qualquer um que nutrisse expectativas pela profecia. Não é incoerente, mas não tem nenhum impacto.

Terceiro lugar — A alma do herói

Após a revelação do facão maldito, foi descoberto que a parte da profecia “a alma do herói” não se referia ao Percy, mas sim ao Luke, já que provavelmente a palavra “herói” foi usada no sentido de semideus e não de homem de bem. Novamente, o problema não é incoerência, mas a falta de impacto. Quando se tem uma profecia que embasa todo o desenrolar de uma franquia, os significados dos versos precisam ser fortes, levar ao clímax, mas estas passagens levam a uma conclusão pífia que ocupa a segunda posição na lista.

Segundo lugar — A redenção do vilão

“A alma do herói a lâmina maldita ceifará”. O que indicava ser um momento de perigo extremo para o protagonista na verdade foi a muleta para a redenção do vilão. É o extremo do anticlimático, pois Luke é vilão desde O Ladrão de Raios. Simplesmente não cabe usar um trecho tão impactante da profecia apenas para fazer o Luke terminar como bonzinho, sendo que ele sempre foi apenas ódio e ressentimento. Está tudo bem um amigo se tornar vilão e ser mau até o fim. É horrível para a continuidade da trama ela ser encerrada com uma redenção para o vilão.

Primeiro lugar — A decisão

A profecia dizia que o filho de um dos três grandes teria de tomar uma decisão que destruiria ou salvaria o Olimpo. Atena disse a Percy que ele chegaria a destruir o mundo para salvar um amigo. Cronos havia perdido o controle do corpo para Luke, e, como o corpo havia sido banhado no Rio Estige, possuía apenas um ponto vulnerável. Ponto este que apenas Cronos e Luke sabiam. Luke então pediu a Percy que lhe desse o facão para que ele acertasse o próprio ponto fraco e matasse Cronos.

Sabe qual foi a dificílima decisão do Percy? Dar ou não o facão para o único que sabia o ponto fraco do vilão. A decisão que era tão esperada e exaltada no fim das contas foi algo óbvio e que não gerou a incerteza em Percy. Diferente do que Rick Riordan jogou no ar com a fala de Atena, a decisão nada teve a ver com “salvar um amigo ou salvar o mundo”.

Riordan criou uma armadilha para si mesmo quando elevou a expectativa quanto ao significado e desfecho da profecia. Se não fosse a fala da Atena, este final seria um pouco menos horrível. A escolha é imbecil, fazer o Percy não ser aquele que derrota Cronos foi imbecil e o significado da profecia foi, se não imbecil, extremamente frustrante. É um péssimo desfecho para o espetacular O Último Olimpiano e um triste fechamento de uma saga épica que merecia muito mais.

E por esse final destruidor de expectativas, considero os filmes superiores aos livros, pois O Mar de Monstros soube construir uma batalha legendária de um herói contra uma alma maligna (que a lâmina maldita ceifou).


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