Crítica | Filme B – A Bonequinha da Mamãe (2017): não é um filme de boneco assassino

Ficha técnica IMDb

Imbuída por um espírito maligno, uma boneca vai ser a responsável por acontecimentos misteriosos e assassinatos violentos e sangrentos que vão tirar o sono de quem convive ao seu lado.

A Bonequinha da Mamãe é um filme complicado de avaliar porque o nome “Filme B” já indica que não é bem algo a se levar a sério, mas cabe uma crítica mais do ponto de vista “obra séria” e outra tratando como “obra zoeira”.

Enquanto zoeira, A Bonequinha da Mamãe falha, pois é inconsistente. Um núcleo dramático é sério e o outro é supostamente engraçado, sem que consiga alcançar um humor de alto nível. O filme não é louco o suficiente e não entrega material de qualidade no quesito entretenimento. Colocar muito palavrão não torna um filme engraçado.

Curiosamente, A Bonequinha da Mamãe é amador demais para ser uma pérola trash, tal qual Circus Kane. Avaliando como um filme sério, ele ainda não atinge um nível adequado para ser uma experiência válida.

Por mais que tenha boas ideias, A Bonequinha da Mamãe assassina-as inserindo o humor do núcleo da Gina, o qual contrasta absurdamente com a vida horrível da Cleópatra. Essa indecisão reflete um filme que não sabe bem para onde quer ir.

A boneca em si foi pouco explorada. Pior do que a falta de boneca nesse filme foi o efeito “amoroso” que ela exerceu sobre dois personagens. Não tem absolutamente nenhuma justificativa e está lá gratuitamente. Ao final, mesmo que tenha sido dado certo destaque para o interesse por joias, não fica claro se a boneca tinha algo com a joia ou apenas queria criar assassinos.

A Bonequinha da Mamãe é um filme básico com más execuções em seus variados aspectos. Os personagens possuem seus dramas, sua história e interesses, ainda que pareçam mal explorados.

Há um grupo de pessoas e uma delas é o assassino, algo clássico, mas que importa muito pouco no filme em questão, pois não foi construída grande tensão acerca de como as mortes ocorrem.

O caso é que A Bonequinha da Mamãe floreia demais com o ambiente e se esquece de desenvolver o mais importante. As mortes são fracas e o que poderia ser um confronto final interessante parece uma paródia de seriado humorístico de baixo orçamento. Não é o galhofa engraçado, é o amador constrangedor.

Ironicamente, para um filme curto, A Bonequinha da Mamãe contém cenas desnecessárias, ou pelo menos extensas demais. A parte musical se arrasta e o epílogo é muito longo, com um final que rima muito pouco com o restante do filme. Podia ser impactante, mas o enredo torna a situação um grande “Tá, beleza, agora sobe os créditos”.

Uma característica da protagonista é que ela é um expoente do tipo de personagem que chega a ser forçado de tão ferrado na vida. Ela reúne tudo de ruim e ainda desliza as costas na porta de casa triste com a própria vida. É um detalhe que me incomoda em Halloween: O Início (possivelmente o melhor da franquia, inclusive).

O mais problemático da parte técnica foi a fotografia com excesso de closes somados à edição “terror amador” que inseriu uns cortes bem sem graça, os quais me tiraram da imersão no filme. Péssima ideia.

A Bonequinha da Mamãe é um filme meia boca, um rascunho de uma obra que talvez conseguisse ser só um pouco ruim.


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