Crítica | Morte às Seis da Tarde (2018): uma história policial sem sal

Ficha técnica IMDb

Todos os dias, às 18h, um serial killer mata uma pessoa diferente. A policial Helena Rus decide encontrar o assassino pesquisando sobre a história da cidade no século 18.

Morte às Seis da Tarde é um filme tipo Seven (1995), só que Seven é bom.

A ideia de um serial killer que “pune” pessoas más não é inovadora e a execução dela no filme é insatisfatória, beirando a glamourização do assassinato. O problema não é o twist da protagonista, mas o roteiro colocar o vilão em foco como se ele talvez estivesse certo, como se ele não fosse tão reprovável assim.

O final de Morte às Seis da Tarde passa a impressão de querer que o espectador sinta pena do vilão, o que não ajuda em nada a melhorar o twist da protagonista, o qual não foi trabalhado em momento algum do filme. Do jeito que aconteceu, ficou de graça.

E a protagonista é bem sem graça. Ela não tem um bom background, não é interessante no desenrolar da trama e não convence enquanto policial inteligente. As palavras dela nas cenas de crime são tão óbvias que não acredito que os demais não pensaram naquelas coisas antes, enquanto outras de suas falas parecem certas demais, ou simplesmente burras (como perguntar à legista a causa da morte imediatamente).

O transcorrer do enredo policial não contém nada muito relevante, coisa que chame a atenção, é só passável. Isto é parte do problema do filme importar pouco, pois a narrativa dele não empolga, não é inteligente o suficiente. As coisas acontecem aqui e ali e eu só penso “hum, isso podia ser melhor”.

A virada da Magda Drewniak não é tão impactante quanto podia ser porque o laço entre ela e a Helena não foi suficientemente bem trabalhado. Faltou corpo à dinâmica investigativa e a pouca graça da protagonista atrapalhou a coadjuvante, que brilhava mais que ela.

É curioso como Morte às Seis da Tarde é um filme curto e gasta menos tempo do que deveria desenvolvendo a dupla principal. Por outro lado, ele abusa de um excessivamente longo flashback, joga um mini-núcleo hospitalar (interessantíssimo) quase de qualquer jeito e aposta num epílogo sem peso.

Basicamente, o epílogo não importa, pois Helena não foi apresentada como uma pessoa boa ou impulsiva, ela apenas estava lá e havia indícios de que ela tinha problemas, sem que estes fossem esclarecidos. Helena é um grande “tanto faz”, o que é o maior ponto negativo em Morte às Seis da Tarde.

Falando especificamente dos crimes, senti que eram “públicos” demais. Era exagerado e conveniente o vilão conseguir fazer tudo o que fez. Ainda assim, gosto de vilões com motivos para agir, mesmo que a execução não seja das melhores.

Morte às Seis da Tarde é um filme fraco que faz o mínimo que se espera de um filme policial. Serve só para quem é fã do gênero e parece ter sido mal planejado, feito com preguiça.

Adendo: a repórter ocupa tempo de tela inútil. De tanto ter foco pensei que ela fosse a criminosa. Confesso que torci para a Helena acertar uns golpes nela.


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