Crítica | Finding Eden (2017): quase um pós-apocalíptico legal

Ficha técnica no IMDb

A terra está morrendo, e aqueles que ainda estão vivos devem lutar para sobreviver após desastres incomparáveis.

Finding Eden é mais um exemplar daquele estilo de filme com a temática “fim do mundo” e/ou “desastres naturais”, tal qual 2012, O Impossível e Skyfire. Em uma comparação rápida, é possível reparar que Finding Eden difere dos demais por não estabelecer uma conexão entre o elemento “desastre” e o arco narrativo dos personagens.

O filme gasta menos de dez minutos construindo o desastre natural e, além de não se aprofundar na explicação, faz uma salada de eventos, com derretimento de geleira, tsunami e terremoto, sem que cada um deles tenha causas, consequências e peso dramático próprio.

É muita coisa em pouco tempo e nada importa, pois sequer é mostrado como estão os protagonistas diante de tudo aquilo. Um problema derivado deste, é que assim cresce a expectativa pelo que ocorrerá no resto do filme, como seriam os desastres e como seriam enfrentados. Só que não acontece mais nada.

Mais de 90% do filme não tem nenhuma conexão aparente com os desastres naturais mostrados nos primeiros oito minutos. Não existem consequências lógicas, não há uma explicação sobre como está o status quo agora e os desafios apresentados não seguem daqueles desastres.

Fica claro que falta água e comida, mas não há um “A” que explique isso, ou então como foi que a civilização ruiu. Inclusive, Finding Eden dá a entender que existem umas doze pessoas no mundo, porque é mais ou menos esse o número de pessoas que aparece em tela e, levando em conta a busca pelo lugar ideal e a ação do vilão, tudo gira em torno dali.

Claro que o filme pode explorar apenas um grupo de pessoas, mas quanto mais ele focava naquele núcleo, mais parecia que o começo era uma inútil propaganda enganosa, assim como a sinopse.

Se o início de Finding Eden fosse como Eu Sou a Lenda, uma cura para uma doença, eu entenderia que um vírus mortal surgiu e matou os animais, justificando assim o canibalismo e talvez a existência de um lugar em que estão umas poucas pessoas sortudas.

Não é a melhor das explicações e não está isenta de questões, mas é melhor isso do que nenhuma conexão implícita entre o que o filme retrata e o que veio antes.

Finding Eden é como Aquaslash, só que ao contrário, são os dez minutos iniciais a parte legal e todo o resto a parte chata. O filme é curto e consegue perder tempo com flashbacks que não agregam nada ao protagonista, pois eu já vi sua família feliz e já entendo sua dor de perdê-los.

Seria muito melhor usar esse tempo para prolongar a cena inicial e escalonar os desastres naturais, ampliando o senso de risco e talvez tornando Finding Eden um filme mais sobre desastres naturais do que ele realmente é.

Digo isto também porque o conflito com o vilão é mal trabalhado e pouco interessante. O desfecho é legal, embora feliz demais, mas não exime o filme daquela incômoda sensação de que nada nele se salva.

Finding Eden é um filme fraco, aproveita mal a própria ideia e não é recomendável.

Observação: algumas cenas de ação são vergonhosas de tão ruins.


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