Crítica | A Morte te dá Parabéns 2 (2019): um grande tanto faz

Um terror que não assusta ou uma comédia sem graça?

Ficha técnica no IMDb

A Morte te dá Parabéns é um filme razoavelmente interessante, principalmente em função da estrutura narrativa proporcionada pelo looping temporal e pelo seu único ponto completamente positivo: o arco de personagem da Tree. Partindo deste ponto, dificilmente A Morte te dá Parabéns 2 conseguiria superá-lo.

Novamente, o único ponto positivo é o avanço da protagonista. O problema é que o primeiro filme já tinha deixado isso de lado para ser só um slasher e, nesta sequência, o desenvolvimento dela é jogado no meio de uma porção de coisas que não importam para ela, mas para o enredo do filme.

Foi muito interessante a abordagem da escolha entre duas realidades. É um tema que valorizo muito, mas que merecia muito mais atenção e cuidado na elaboração. O filme inteiro devia ser sobre isso, pois aí seria relevante para a personagem que fora encerrada em A Morte te dá Parabéns.

Outro elemento que é um pouco deixado de lado é o slasher. Há pouco foco e a revelação é totalmente desinteressante, pois eu já sei que aquilo não importa, afinal, A Morte te dá Parabéns 2 não tem a competência de passar uma sensação de risco, embora flerte com as consequências das mortes da protagonista. Consequências tais que ela parece ignorar ao escolher mortes como: ser triturada.

Se não tem muito desenvolvimento nem muito slasher, o que tem? Esse é o principal problema do filme. Ele foca muito em uma aventura pseudocientífica totalmente furada e num humor absurdamente patético, no nível de programas de TV que prefiro não mencionar o nome.

Quando a história apresenta um conceito de forma vaga, ou dá a entender que é “magia”, eu aceito sem questionar. Quando a história tenta ser científica e detalhar um processo racional de transição pelo que seria a “magia”, eu exijo respostas e que aquilo tudo pelo menos faça sentido.

Não faz sentido uma máquina causar um looping temporal que convenientemente só afeta uma pessoa por vez. Conveniente também é a restrição dela de apenas fazer a troca quando todas as máquinas das realidades paralelas estão prontas, impedindo assim que uma realidade puxe a outra do nada, acabando rapidamente com o enredo do filme.

Na primeira metade do filme surge um cientista paralelo que se veste como o assassino e tenta matar o cientista original. Essa questão intrigante é completamente abandonada por A Morte te dá Parabéns 2 e eu preciso me contentar em não saber por qual motivo o cientista quis matar ele mesmo de outra realidade para, provavelmente, evitar que algo ocorresse. Tinha tudo para ser a parte mais interessante do enredo.

Esse elemento flutua em meio à tentativa do roteiro de colocar a protagonista de volta no looping, de modo curiosamente semelhante ao que faz o arco Fullbringer em Bleach. Basicamente, A Morte te dá Parabéns 2 se esforça para ser uma obra descompromissada, só que ela falha nessa empreitada graças ao seu humor terrível.

O filme tenta criar dois momentos relevantes: a volta da protagonista para salvar o amado e a escolha quanto a voltar ou não para a realidade original.

A primeira já aconteceu no filme anterior e lá foi extremamente relevante (em seguida sendo jogada fora pelo descompromisso da obra), então é um nada para a personagem principal.

A segunda podia ser legal, mas não foi devidamente abordada, apesar do excelente diálogo da protagonista com o amado sobre o mérito de viver no passado (embora, do ponto de vista dela no presente, qualquer escolha represente viver no passado, ou no passado com o namorado ou no passado com a mãe).

A Morte te dá Parabéns 2 é um filme que fracassa em sua proposta e decide relegar o desenvolvimento de personagem. O problema não é escolher não ser terror, é escolher ser ruim. Que o diga a estúpida cena em que a protagonista está armada, sob a ameaça de duas pessoas e praticamente espera que elas ataquem-na.


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