Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 45 (2ª série): e daí?

O vol. 45 de Turma da Mônica Jovem sai do nada e vai para lugar nenhum, ao melhor estilo volume irrelevante de transição. Em alguns momentos senti que ele iria decolar, mas o que ficou foi apenas decepção.

As resenhas na ordem cronológica pararam porque eu me cansei de TMJ, mas casualmente vi dois volumes recentes que pareciam bem legais. Este não foi, mas talvez na próxima. O que mais me irritou em O mistério do farol foi a falta de esmero em tornar a história uma narrativa decente.

Os pontos da temática são até bonitinhos, só que eles não significam nada para o quarteto protagonista ou para a franquia. Eu não exijo que tudo tenha significado, mas quando não há temática, precisa haver narrativa. E O mistério do farol parece não se importar com a elaboração da narrativa.

A história simplesmente não tem conflito algum. Não há nada mau, a ideia do “escape room” não é usada, o nevoeiro não é nada, a grande “virada” do volume sequer une os dois personagens principais da situação (a menina e o velho) e mesmo a estranha festa de aniversário da Carmem onde havia apenas o quarteto protagonista não possui maior aprofundamento.

Os poucos elementos interessantes erguidos por O mistério do farol não são usados para nada, o que cria várias pontas soltas em uma aventura que, de início, me lembrou de filmes de terror e One Piece.

O humor com os passos típicos de histórias de terror funciona muito bem, mas, lamentavelmente, tal atmosfera é deixada de lado para contar um drama (bem mal contado, inclusive). Gostei muito da piada com “fake news” e sindicato, mas, conforme a leitura avançava, a irritação superava a leveza que o humor incutiu em mim.

Dois quadros em particular me incomodaram. Um tem a Mônica desenhada com cara de 40 anos e o outro mostrava três personagens fazendo comentários que só teriam sentido caso eles não tivessem ouvido a explicação do Cebola no quadro anterior.

Este é outro problema de O mistério do farol: explicações convenientes. Elas costumam aparecer em filmes de terror para agilizar o processo de descoberta da mitologia que rege a trama, mas, neste caso, elas explicam o roteiro.

Em vez de uma cena construir a descoberta da verdade, literalmente um personagem que acabamos de conhecer para e conta o que precisamos saber. Depois, outro “personagem” termina de contar o enredo do vol. 45. Me senti lendo um rascunho, uma história preguiçosa e não-profissional.

Um bom jeito de resumir O mistério do farol é: e daí?

E daí que é uma ilha no meio do lago? E daí que é um lugar fértil para magia? E daí que era para ser um lugar de desafios intelectuais? E daí o aniversário da Carmem? Pelo amor de Deus, e daí a Carmem? Qual a necessidade de colocar ela na trama daquele jeito esquisito?

Por último, e daí o Felipe Beto? Não tem mais nada na ilha, as velas já se foram e eu nem sei quem ele é. Aquele final foi ridículo.

O vol. 45 da segunda série de Turma da Mônica Jovem é ruim e praticamente chama de trouxa quem paga 12 reais em uma história rascunhada.


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