Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 37 (2ª série): interessante, engraçado e necessário

O vol. 37 de Turma da Mônica Jovem ficou ainda melhor para mim por eu ter lido antes o péssimo vol. 45. Peso Perigoso usa um tema que já fora abordado em Turma da Mônica Jovem: hábitos alimentares. Em especial, o faz sem um tom panfletário.

Peso Perigoso é estruturalmente muito bem feito. Há um núcleo secundário da Mônica que inclui uma situação razoável envolvendo a Denise. Aqui a Mônica não importa e isso é muito bom, pois dá espaço para o núcleo principal, do Quim, se desenvolver.

Para a franquia, Peso Perigoso é relevante. É um passo a mais no “arco do distúrbio alimentar”, o qual fora iniciado lá atrás, com a Maria Mello, no Aniversário de 15 Anos da Marina.

Como não li todos os volumes, não sei ao certo se tem outras histórias além de O peso de um problema e Bullying – Além do Limite (acho que esse não tanto dentro do tema). Ainda assim, é bom ver essa questão sendo abordada em Turma da Mônica Jovem.

O núcleo principal do volume é centrado no ponto de vista do Quim em relação aos gordos que existem ao seu redor. Ele se sente incomodado com a reclamação acerca de sua aparência e olha para a Isa, a gorda feliz. Depois, já no spa, vê os gordos sofredores. É coerente a dúvida dele quanto a como encarar sua condição física.

Talvez o maior acerto de Peso Perigoso seja usar a câmera em primeira pessoa sob a perspectiva do Quim, pois isto permite uma conexão muito grande com ele e um impacto real, e lógico, quando ele toma suas decisões.

É interessante que o Quim é gordo, mas ele vê no spa pessoas com reais dificuldades físicas oriundas do problema com o peso. Então ele olha para o Marcão e sente medo de aquele ser seu futuro. De forma sagaz, o roteiro fez o Quim ter tanto medo de engordar que escolheu um caminho radicalmente oposto.

Esta opção não apenas encorpa Peso Perigoso como o torna educativamente correto. É fácil mostrar as consequências de comer muito, mas o risco é acabar induzindo as pessoas a acharem que o remédio é deixar de comer ou comer muito pouco, em vez de comer bem (nesta narrativa, a escolha é muito mais relevante do que a da Maria Mello no aniversário da Marina).

E assim o arco de personagem do Quim é finalizado. Ele assimila como seu caminho ser feliz, cuidando da saúde sem buscar ser atlético. É coerente e um bom desfecho para uma trama protagonizada por um interessante personagem secundário.

Agora falta resolver a Maria Mello.

Um ponto a destacar em Peso Perigoso é a alta qualidade do humor. Ri muito das piadas, em especial a do “tipo androide”. Felizmente, na página em que se inicia a perseguição, eu precisei parar a leitura por um tempo. Foi impagável voltar e, na página seguinte, a perseguição já ter acabado.

É bom que os roteiristas tenham liberdade e iniciativa para trabalharem os personagens secundários em volumes que não foquem no quarteto protagonista. Faria a segunda série subir de nível.

Peso Perigoso é um excelente volume que aborda muito bem um problema atual, inserindo tal tema em uma narrativa bem feita e agradável de ler. O vol. 37 de Turma da Mônica Jovem é um importante lembrete de que é possível contar uma boa história sem incluir elementos mágicos ou épicos (e, a meu ver, sem parecer panfletária).


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